Liga Guineense dos Direitos Humanos

Fundada em 12 de Agosto de 1991

 


 

NOTA DE IMPRENSA DE 22 DE JANEIRO DE 2007

 

 

A Liga Guineense dos Direitos Humanos tem acompanhado com muita preocupação a actuação das nossas forças de segurança no que diz respeito à manutenção da ordem pública.

 

Nos últimos tempos as intervenções dos agentes de segurança têm sido marcados pela perda de vida humana, valor básico e imprescindível para a existência de qualquer sociedade e a qual cabe a polícia defender e proteger.

 

Mais uma vez, os guineenses foram surpreendidos esta Quinta-feira com assassinato deliberado de um jovem perpetrado por um agente da polícia de intervenção rápida, alegadamente por suspeitar que este tinha droga em sua posse.

 

Estes actos que em nada contribuem para a tão falada reconciliação nacional, criando pelo contrário sentimentos de vingança e ódio, e demonstram o baixo nível dos nossos agentes de segurança, insensíveis aos valores universais da humanidade.

 

Considerando que a vida é um bem jurídico fundamental que em circunstancia alguma deve ser sacrificada para justificar qualquer actuação da polícia.

 

Considerando que este acto criminoso, deplorável e de uma gratuitidade revoltante não é o primeiro cometido pelos nossos agentes de segurança o que vem tornado esta forma de actuar um “modus operandi” da nossa polícia.

 

Considerando ainda que a proporcionalidade é um princípio geral a que todos devem observar, mas mais se impõe aos agentes da força de ordem e cuja observância por parte da policia a Liga vem chamando atenção das autoridades de um tempo a esta parte.

 

 

A Direcção Nacional da LGDH delibera:

 

1.  Condenar os actos bárbaros e criminosos de matança gratuita que vêm sendo cometidos pelos agentes de segurança contra cidadãos, aproveitando-se de uniformes que custaram sangue e suor do nosso povo para ajuste de contas;

 

2.     Exigir às autoridades competentes para assumirem as suas responsabilidades, promovendo inquéritos não só para clarificar as circunstâncias em que ocorreram o assassinato do jovem bem como responsabilizar o autor deste crime hediondo que usa uniforme para ajustar as suas contas.

 

3.      Manifestar o seu total repúdio pela actuação mortífera e desumana das forças da ordem que tirou vida, mais uma vez, à queima-roupa ao jovem, em plena flor da juventude, baleado com dois tiros em circunstâncias por esclarecer.

 

Feito em Bissau aos 22 dias do mês de Janeiro de 2007

 

 

 

A Direcção Nacional

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