9 de outubro de 2015
10 de setembro de 2015
A LGDH CONGRATULA-SE COM O ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL DA JUSTIÇA QUE DECLARA INCONSTITUCIONAL O DECRETO PRESIDENCIAL 6/2015
A
Liga Guineense dos Direitos Humanos regista com enorme satisfação o Acórdão do
Supremo Tribunal de Justiça que Declara Inconstitucional o Decreto Presidencial
6/2015 que nomeou o Dr. Baciro Djá como Primeiro-Ministro à
margem da maioria parlamentar.
Esta
Deliberação da Instância máxima do poder judicial na Guiné-Bissau vem repor a
ordem constitucional e assegurar a manutenção da vontade popular, fonte de legitimidade
dos titulares de órgãos de soberania.
Neste
contexto de crise política emergente da demissão do Governo do PAIGC saído das
eleições legislativas de 2014, o Acórdão
N. 01/2015 do Supremo Tribunal de Justiça abre portas para um diálogo político
franco e inclusivo, em que todos os actores políticos e sociais, em particular
os titulares dos órgãos de soberania devem convergir à volta dos superiores
interesses da nação.
Perante
este cenário de procura incessante de soluções pacíficas, inclusivas e
duradouras para a crise política prevalecente, a Direcção Nacional da LGDH
delibera os seguintes:
1.
Congratular-se na íntegra com o Acórdão n. 1/2015 do Supremo Tribunal de
Justiça que Declara Inconstitucional o Decreto Presidencial 6/2015 que nomeou o
Dr. Baciro Djá como Primeiro-Ministro;
2.
Enaltecer a atitude corajosa e histórica do Poder Judicial, em particular do
Supremo Tribunal de Justiça em repor a ordem constitucional e democrática e que
permitiu resgatar a confiança dos cidadão nas instituições judiciárias;
3. Felicitar
a sua excelência Sr. Presidente da República pela sua prontidão em respeitar e
fazer cumprir o acórdão do STJ, revelando com este gesto o sentido de estado e
o papel de garante da constituição.
4.
Exortar os principais actores políticos em particular, os partidos com
representação parlamentar a máxima ponderação rumo a uma solução pacífica e inclusiva
dentro do espírito de respeito pelo compromisso e quadro legal instituído;
5.
Apelar a todos os intervenientes no processo a respeitar a Deliberação do
Supremo Tribunal de Justiça, contribuindo intransigentemente na sua efectivação;
6.
Felicitar mais uma vez, a atitude de neutralidade e de equidistância das Forças
de Defesa e Segurança nesta crise política, facto que demonstra de forma clara
o seu caracter republicano.
7.
Convidar, mais uma vez, o Sr. Presidente da Republica, a fazer valer o seu
papel constitucional de árbitro e de garante de unidade nacional na procura
urgente de soluções consensuais para a crise política prevalecente.
Pela
Paz, Justiça e Direitos Humanos
Feito
em Bissau aos 9 dias do mês de Setembro de 2015
A Direção
Nacional
21 de agosto de 2015
A LGDH RESPONSABILIZA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA PELAS CONSEQUÊNCIAS DAS SUAS AÇÕES ILEGAIS
A
LGDH tem acompanhado com muita apreensão a evolução negativa da crise politica
no país, agravada com a nomeação anunciada ontem, de um novo primeiro-ministro
à revelia da posição oficial do PAIGC, partido vencedor das últimas eleições
legislativas.
Esta
decisão do Presidente da República veio, mais uma vez, estorvar os caminhos
para as negociações que estão a ser empreendidas pelos parceiros nacionais e
internacionais rumo a um consenso político capaz de promover a estabilidade e o
desenvolvimento.
A
nomeação do terceiro Vice-Presidente do PAIGC, então segunda figura do Governo
liderado pelo Eng. Domingos Simões Pereira, entra em flagrante contradição com
os argumentos aduzidos pelo Presidente da República para demitir o executivo,
na medida em que, além de ter nomeado um dos responsáveis pela governação que
ele considera, isoladamente, um fracasso, nomeou um amigo próximo e o seu
Director de campanha nas últimas eleições presidenciais.
De
igual modo, esta nomeação evidencia a vontade inequívoca do Chefe de Estado de
prosseguir o seu plano político, ignorando os apelos das forças vivas do país e
dos principais parceiros internacionais.
A
tudo isto, se associa a manifesta intenção do Presidente da República de querer
opor-se a tudo e todos, para continuar irreversivelmente a trilhar os caminhos
de radicalismo, isolamento e de rotura política para erguer à custa da
estabilidade na Guiné-Bissau o seu projecto político de Mon na Lama contrário ao espírito e a letra da constituição.
Deste
modo, o Sr. Presidente da República confirmou claramente que foi o mentor do
actual contexto político para ter na chefia do Governo um amigo pessoal, não um
primeiro-ministro capaz de conduzir o país à estabilidade e ao
desenvolvimento. Portanto, a pergunta que se coloca é o seguinte:
Onde
é que está a coerência, o combate ao nepotismo, o compromisso com o povo e os
valores da ética que o Sr. Presidente, aparentemente, tem defendido e que sustentaram
a demissão do Governo saído das eleições legislativas de 2014?
O
sistema semi-presidencialista tal como vem definido na nossa constituição não
permite a formação de Governo de iniciativa presidencial, isto é, à luz do Art.
68º alinea g) da Constituição, compete ao Presidente da República apenas nomear
o Primeiro-ministro proposto pelo Partido vencedor das eleições, neste caso o
PAIGC. Aliás, o próprio Presidente da República na sua comunicação à
Nação, no dia 13 de Agosto de 2015, assegurou que ia devolver direito ao
PAIGC para propor o nome do Primeiro-Ministro. Este direito deve ser exercido
pelos órgãos legítimos do Partido, não pelo Presidente da República.
Portanto,
esta decisão de nomear o Sr. Baciro Djá como Primeiro-ministro desvirtua por
completo o espírito do sistema semi-presidencialista e, consequentemente, torna
passível de impugnação judicial, o Decreto Presidencial nº. 6/2015, por não
estar em sintonia com o Art. 68, Alinea g) da Constituição.
Mediante
esta situação deveras preocupante em que o presumível árbitro e garante de
unidade nacional se encontra investido na posição de principal ameaça à paz e à
estabilidade, a Direcção Nacional da Liga Guineense dos Direitos Humanos
delibera os seguintes:
1.
Condenar veementemente a decisão
irreflectida do Presidente da República por violar flagrantemente a Constituição
e demais leis da República, com a nomeação de um novo primeiro-ministro contra
a vontade do partido vencedor das eleições legislativas e sem a prévia consulta
dos partidos com representação parlamentar como rezam os artigos, 68, Alínea g,
conjugado com o Art.98 nº1 da Constituição da República;
2. Responsabilizar
o Sr. Presidente da República pelas consequências que poderão advir desta sua
decisão isolada que visa colocar o país numa crise sem precedentes, com um
único propósito de implementar o seu projecto político "mon na lama",
visando o controlo absoluto das instituições públicas, em particular do
Governo;
3. Não
reconhecer o Presidente da República como interlocutor credível enquanto
persistir na violação da constituição e demais leis da República;
4. Exortar
a Comunidade Internacional, em particular a ONU e a CEDEAO, para uma urgente e
adequada intervenção por forma a evitar que a actual crise instalada na
Guiné-Bissau ganhe contornos imprevisíveis e incontroláveis;
5.
Congratular-se com as Forças de Defesa e
Segurança pela equidistância e neutralidade face à crise política vigente no
país, encorajando-as a se manterem firmes na defesa da paz e estabilidade
social;
6.
Exortar o Presidente da República a
máxima ponderação e o elevado sentido de estado para respeitar e fazer
respeitar a Constituição da Republica e a vontade popular expressa nas urnas, que
é suprema, e constitui a fonte da sua legitimidade.
7.
Associar-se a todas as iniciativas e
acções das organizações da sociedade civil com vista a garantir a Paz,
Democracia e Respeito pelo Estado de Direito.
Pela
Paz, Justiça e Direitos Humanos!
Feito em Bissau aos 21 dias do mês de
Agosto 2015
A Direcção Nacional
14 de agosto de 2015
A LGDH CONDENA A DECISÃO IMPONDERADA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
COMUNICADO DE IMPRENSA
A Liga Guineense dos Direitos Humanos
enquanto observadora atenta e mediadora da actual crise polÍtica instalada, um
ano depois das eleições gerais, regista com enorme preocupação a decisão do Presidente da
República de demitir o Governo liderado pelo Eng. Domingos Simões Pereira,
ignorando várias outras soluções menos prejudiciais para os interesses
nacionais, desde que houvesse um mínimo de ponderação e de consideração pelas
péssimas condições de vida dos guineenses.
A LGDH no quadro do seu papel
proativo de promover a estabilidade e de defesa dos valores de estado de
direito, fez da sua agenda prioritária a busca de consenso entre os titulares
dos órgãos de soberania, tendo empreendido esforços significativos em vários
encontros de trabalho mantidos com o Presidente da Republica e Ex-Primeiro-Ministro
entre Maio e Julho do ano em curso, por forma a reduzir as assimetrias
entre as duas partes em nome da estabilidade politica.
Como se não bastasse, a LGDH voltou a
manifestar ao Sr. Presidente da República a sua discordância absoluta com a
iniciativa de derrubar o Governo liderado por Domingos Simões Pereira durante
as últimas consultas levado a cabo na semana passada, visto que os
indicadores económicos, sociais e o consenso politico expresso na Assembleia
Nacional Popular eram incompatíveis com a sua pretensão.
Infelizmente perante todo este
cenário, o Presidente da República optou por uma decisão isolada e premeditada
de demitir um Governo que teve uma prestação ainda que passível de eventuais
criticas, foi avaliada de positiva pelos principais parceiros nacionais e
internacionais. Aliás os mesmos parceiros unanimemente apelaram e pediram
encarecidamente a ponderação do Presidente da República para a salvaguarda da
paz e da credibilidade externa do país, conquistadas há um ano do fim da
transição política emergente do golpe de estado de 12 de Abril de 2012.
Nesta perspectiva, a LGDH considera
que a demissão do Governo do PAIGC saído das últimas eleições legislativas de
2014, representa de um lado, o desrespeito flagrante do compromisso eleitoral
assumido para com o povo e, por outro lado, demonstra a sua irredutível vontade
de derrubar o Governo independentemente do contexto politico-social, passando
por cima de todos os apelos e esforços dos actores nacionais e internacionais
e, em contraste com o seu papel de árbitro e de garante do regular
funcionamento das instituições da república.
Perante esta nova crise política
evitável em que o país se encontra, a expectativa e a confiança dos guineennes
nas instituições democráticas foram mais uma vez, defraudadas pela ausência do
diálogo e da maturidade política dos titulares dos órgãos de soberania na
interpretação dos anseios do povo e na defesa dos interesses nacionais.
A democracia enquanto a base do
exercício de poderes públicos e a fonte de legitimidade dos titulares dos
órgãos de soberania na Guiné-Bissau, é um processo de construção social que
exige acima de tudo, a coerência e a defesa incondicional dos valores da
república, os quais, reclamam a conjugação de esforços de todos os actores
políticos, sociais e económicos onde a convicção pessoal deve dar lugar ao
sentido de estado e os interesses individuais cedem perante a estabilidade
social.
Perante os factos acima elencados, a
Direcção Nacional da LGDH delibera os seguintes:
Sua excelência Sr. Presidente da República Dr. José
Mário Vaz
- Condenar ser reservas a decisão imponderada do Presidente da República de demitir o Governo liderado pelo Eng. Domingos Simões Pereira cujos efeitos se configuram imprevisíveis tanto no plano nacional assim como, no plano internacional;
- Responsabilizar o Sr. Presidente da República pela possível degradação da situação económica, social e política numa altura em que tudo apontava para uma estabilização definitiva do país;
- Exortar ao Sr. Presidente da república para accionar o mais urgente possível, todos os mecanismos constitucionais para erguer o país da crise em que se encontra mergulhado, capaz de comprometer ainda mais a precária vida dos guineenses e a credibilidade externa do país;
- Apelar a todas as forças vivas da nação, em particular ao PAIGC partido vencedor das últimas eleições legislativas, a máxima ponderação e a abertura na busca de soluções pacíficas para a crise vigente;
- Enaltecer os esforços das organizações da sociedade civil na defesa dos valores da democracia e do estado de direito, encorajando as mesmas a actuar cada vez mais com objectividade e abertura na busca de soluções para a actual crise política;
- Reiterar a abertura e a disponibilidade da LGDH na procura de soluções pacíficas, series e constitucionais para a crise política vigente.Pela Paz, Justiça e Direitos HumanosFeito em Bissau aos 14 dias do mês de Agosto 2015A Direção Nacional
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