16 de janeiro de 2016

A LGDH CONSIDERA ILEGAL A DELIBERAÇÃO N.1/2016 DA COMISSÃO PERMANENTE DA ANP



Comunicado de imprensa

A Liga Guineense dos Direitos Humanos  tem acompanhado com bastante preocupação a  evolução da crise política emergente da queda do primeiro governo do PAIGC da IXª legislatura, consequência de disputas politicas intra e interpartidária,  que se transbordaram na deliberação Nº1 da Comissão Permanente da ANP de 15 de Janeiro 2016, que determinou a perda de mandatos de 15 deputados do PAIGC por supostamente deixarem de preencher os pressupostos de elegibilidade.

Tendo em consideração que no estado de direito as leis constituem o critério e limite de atuação das autoridades publicas, em particular dos órgãos de soberania, sendo certo que a observância estrita de tais dispositivos legais traduzem-se em ferramentas para fortalecer a democracia e consolidar a paz.

Por conseguinte, a deliberação Nº1/2016, da Comissão Permanente da ANP  viola os direitos fundamentais dos cidadãos em causa, nomeadamente os direitos políticos, na medida em que entra em contradição com a letra e o espírito  das disposições legais que serviram de fundamento da aludida deliberação, designadamente o artigo 8º al. a) do estatuto dos deputados conjugado com os artigos 11º e 139º da Lei Eleitoral.

De acordo com estas disposições da Lei eleitoral a perda de militância não constitui requisitos de inelegibilidade, pelo que não pode servir de fundamento para a perda de mandato do deputado.  

Tendo em consideração os efeitos prejudiciais desta deliberação no exercício dos direitos políticos dos cidadãos em causa, susceptível de agravar a crise política e social prevalecente, a LGDH no cumprimento da sua missão de promoção e defesa dos valores da paz e dignidade humana, delibera os seguintes:
                                                        Sede da ANP

1.      Considerar ilegal a deliberação Nº1/2016 da Comissão Permanente da ANP por violação das normas que regulamentam os termos da perda do mandato, nomeadamente o Estatuto dos deputados, o Regimento da ANP e a Lei Eleitoral.

2.      Exortar a Comissão Permanente da ANP no sentido de adequar as suas atuações com os parâmetros legais, evitando assim atitudes capazes de agravar ainda mais a frágil situação política e social do país.

3.       Estranhar a inércia do Presidente da República perante a presente crise instalada, o que colide com o seu papel de garante da unidade nacional e do normal funcionamento das instituições.

4.      Instar o Presidente da República no sentido de exercer as suas funções de alta magistratura com vista a encontrar soluções sustentáveis e duradouras da crise para a qual tenha contribuído.

5.      Apelar aos atores políticos para elegerem o dialogo construtivo como estratégia de resolução dos diferendos políticos evitando assim comportamentos que possam colidir com os valores da paz e estabilidade.

6.      Exortar as Forças de Defesa e Segurança a manterem-se equidistantes das disputas político-partidárias em conformidade com os princípios e ditames do Estado de Direito Democrático.


Pela Paz, justiça e Direitos Humanos      

  Feito em Bissau, aos 16 dias do mês de janeiro de 2016


A Direção Nacional
___________________________________



 

14 de janeiro de 2016

OBSERVATÓRIO DOS DIREITOS EXIBE FILMES DE BOAS PRÁTICAS NAS REGIÕES DA GUINÉ-BISSAU



Uma equipa técnica, dirigida pela Coordenadora do Projecto Observatório dos Direitos na Guiné-Bissau, Cleunismar Silva, e que integra o vice-Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Victorino Indeque, tem desdobrado, nas últimas semanas, em deslocações às diferentes regiões e localidades do interior do país, com missão de exibir os filmes sobre as boas práticas. Uma iniciativa que visa contagiar diferentes comunidades, das boas práticas ligadas a Educação, Saúde, Energia, Água, Habitação e Justiça, enquanto indicadores que sustentam o projecto.

As mesmas ocasiões são também animadas pelas exposições, que reflectem o quadro geral de acesso das gravidas aos centros de saúde e das crianças às escolas. 



As sessões têm decorrido num ambiente de grande debate sobre os temas reportados nos respectivos filmes e exposições, nomeadamente, práticas que têm a ver com o casamento forçado, a mutilação genital feminina, justiça e outros factores de constrangimento ao desenvolvimento comunitário na Guiné-Bissau.  

A equipa já esteve nas Regiões de Cacheu, Oio e Bafatá e, nas próximas semanas, vai estar em Quinara, Tombali e Gabú. 


7 de janeiro de 2016

NO QUADRO DA EXECUÇÃO DO PROJECTO MONITORIZAÇÃO DOS TRIBUNAIS A LGDH PROMOVE CICLO DE DEBATES RADIOFÓNICOS



 Foi realiza no dia 3 de Novembro o primeiro debate radiofónico no quadro do projecto “Monitorização dos Tribunais” subordinado ao tema acesso à justiça.  Durante o referido debate foram analisadas os principais constrangimentos relacionados com o acesso ao Direito e à Justiça na GB; começando pela falta de infraestruturas, custas judiciais, dificuldades de contratação de patrocínio judicial pela falta de fundo para a Ordem dos Advogados, ausência de escritórios de advogados nas regiões, falta de infraestruturas e equipamentos; 
 
 Debate sobre Impunidade:   

Teve lugar no dia 8 de Novembro de 2015; o tema suscitou um grande interesse por parte dos atores políticos, envolvendo o sindicato dos magistrados e a Ordem dos avogados. Onde igualmente foram analisadas as principais causas de impunidade tanto a nível institucional, social, judicial e cultural. 

Debate sobre o Papel da Justiça no Combate à violência Doméstica  

Este  debate foi realizado no dia 4 de Dezembro de 2015, visando alertar a opinião publica nacional e internacional sobre a problemática da justiça no que concerne à aplicação das leis contra a violência doméstica. O programa ficou marcado análises aprofundada e transversal sobre os desafios ligados ao funcionamento da justiça, em particular sobre a aplicação das leis num contexto de insuficiência de meios nos tribunais e de limitado acesso à justiça, associados à falta de infraestruturas judiciarias, em particular nas regiões.

No total foram realizados até esta data, 11 debates radiofónicos sobre diversos temas relacionados com a justiça