15 de abril de 2016

CORRUPÇÃO, UM ATAQUE A DIREITOS HUMANOS



A corrupção, a espoliação de recursos públicos e a colocação ilícita de riqueza no estrangeiro constituem, no seu conjunto, um problema cuja magnitude não deve ser menorizada em comparação com as formas mais visíveis,  directas e brutais de violência tais como assassinatos, detenções arbitrarias etc.

A grande corrupção e prácticas a ela associadas têm um efeito catastrófico no desenvolvimento humano, em especial nos países mais pobres como a Guiné-Bissau.
O enriquecimento ilícito de muitos dirigentes e responsáveis guineenses começou, com efeito, a reboque e a coberto da liberalização acelerada da economia a partir de 1982, não por ter havido liberalização selvática mas porque faltou a honestidade dos intervenientes e o controlo das suas actividades.

 Ă semelhança do que aconteceu noutros países africanos, na América Latina e na Ásia, muitas das clientelas que parasitaram o Estado e foram fragilizando as suas estruturas no passado aparecem, no presente, entre os sectores com evidentes ligações às novas redes criminosas e às prácticas relacionadas com violações cada vez mais graves de direitos humanos e a patamares ainda mais nefastos de corrupção.
 
Por esse motivo, o combate à grande criminalidade que ameaça hoje a existência do Estado guineense não pode ser dissociado de uma investigação profunda e da responsabilização efectiva dos que roubaram e continuam a roubar a Nação. 
A LGDH encara a luta contra a impunidade de forma mais abrangente, numa abordagem que insiste na necessidade de investigar e punir também as violações dos direitos sociais e económicos e, em particular, da grande corrupção. A compreensão dos crimes económicos como violação grave dos direitos fundamentais está em linha com a evolução da jurisprudência e a legislação internacionais. Inspira-se também na tendência, que vem ganhando importância nos últimos anos, de uma leitura mais realista - e, portanto, mais justa das formas complexas de impunidade e dos mecanismos mais adequados para a combater.
Recentemente a transparência internacional, uma organização que monitora a evolução da situação da corrupção no mundo, coloca a Guiné-Bissau na lista dos 5 países mais corruptos do mundo. Embora não é surpreendente este anúncio na justa medida em que é visivel a olhos nú, a ostentação criminosa de riqueza de proveniência duvidosa da parte dos governantes e altos funcionários de diferentes departamentos de estado, mas, este anuncio deve envergonhar os responsaveis do estado e os interpelar para a necessidade de adopção urgente de medidas legislativas coerentes e operacionais para a erradicação da corrupção na Guiné-Bissau.


A corrupção traduz num atentado contra direitos humanos, a corrupção mina a confiança dos cidadãos nas instituições públicas, a corrupção constitui uma afronta a paz e estabilidade de uma nação, a corrupção traduz numa violação dos principios basilares da democracia e do estado de direito, enfim, a corrupção traduz num osbtáculos para o desenvolvimento de qualquer país.

Por isso, a tolerancia zero a corruptos e corruptores deve ser uma prioridade absoluta de todos os servidores do estado.

A Liga apoia com firmeza todas as iniciativas judiciais transparentes que visam perseguir e punir os corruptos e corruptores desde que tais acções se fundam no estrito cumprimento das leis em vigor na Guiné-Bissau.

7 de abril de 2016

A LGDH PARTICIPA NA 58ª SESSÃO ORDINÁRIA DA COMISSÃO AFRICANA DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS EM BANJUL

Comunicado de imprensa

Uma delegação da Liga Guineense dos Direitos Humanos chefiada pelo seu Vice-Presidente, Dr. Vitorino Indeque, participa na 58ª Sessão Ordinária da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos a decorrer em Banjul entre os dias 6 à 20 de Abril 2016.

Este magno encontro foi antecedido, como é habitual, com a realização de mais uma sessão do Fórum das organizações defensoras dos direitos humanos em áfrica que decorreu nos dias 3 à 5 de Abril 2016, no qual se debruçou sobre as condições dos defensores dos direitos humanos, sistema prisional africano, liberdade de expressão, acesso à educação, direito à saúde, entre outros.

No uso do seu estatuto de membro observador junto da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, a LGDH apresentou uma declaração sobre a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, na subregião e em alguns países dos PALOPS, caracterizada pela repressão e detenções arbitrárias dos  ativistas dos direitos humanos, aumento do fenómeno de terrorismo no continente, com especial destaque para a  áfrica ocidental, tráfico de seres humanos, redes transfronteiriças de exploração sexual e práticas tradicionais nefastas.

Na referida declaração, a organização chama atenção sobre a necessidade de reforçar a pressão junto dos diferentes estados africanos com vista à ratificação do Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos humanos e dos Povos que criou o Tribunal Africano dos Direitos Humanos, atribuindo às organizações da sociedade civil, o estatuto de sujeitos jurídicos junto deste tribunal regional.

De igual modo e preocupada com a situação dos defensores dos direitos humanos em Angola, a LGDH lançou  um vibrante apelo à Comissão Africana dos Direitos Humanos e de Povos no sentido de interceder  com maior urgência possível junto do Governo angolano para pôr fim à repressão contra ativistas dos direitos humanos e consequente libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros políticos que foram detidos e condenados injustamente.

No plano interno, a organização destaca a precária situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau para o qual contribuiu muito à cíclica instabilidade política que tem fustigado o país ao longo dos seus 40 anos de independência.

O fraco investimento no sector de ensino publico, um sistema de saúde inoperante e ineficaz, baixo nível de acesso à justiça, aumento de casos da práticas de casamento precoce e forçado, falta de uma estratégia coerente de combate à trafico de criança, a precariedade das prisões e a violência policial são, entre outros, o quadro negro destacado na declaração da organização.

A LGDH é a única organização da sociedade civil Guineense com estatuto do observador junto da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos desde 1992, a sua participação nesta 58ª Sessão  foi financiada pela União Europeia no quadro do Projeto Observatório dos Direitos, uma iniciativa da Liga Guineense dos Direitos Humanos em parceria com a Associação para a Cooperação entre os Povos (ACEP) e Centro de Estudos sobre África, Asia e Craíbas (CESA).

Feito em Bissau aos 06 dias do mês de Abril 2016


Pela paz, Justiça e Direitos Humanos