2 de junho de 2017

A LGDH CONDENA A PROIBIÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES PROGRAMADAS PELOS MOVIMENTOS CÍVICOS



COMUNIDADO DE IMPRENSA

A Liga Guineense dos Direitos Humanos regista com enorme preocupação o teor do comunicado de imprensa emitido pelo Secretário de Estado da Ordem Pública, no dia 1 de Junho de 2017, anunciando a proibição das manifestações programadas pelos dois movimentos cívicos (Movimento o Cidadão e o Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados), marcadas para os dias 3 e 4 de Junho de 2017, tendo sido invocado como fundamento, a não observância dos pressupostos legais, incluindo os possíveis riscos pela realização simultânea das duas manifestações.

Esta decisão do Secretário de Estado da Ordem Publica não se enquadra adequadamente, no espirito do Art.º 54º da Constituição da República e do Art. 3° da Lei 3/92 de Liberdade de Manifestação, os quais consagram, o exercício de liberdade de manifestação como um direito fundamental de execução automática. Portanto, a liberdade de manifestação não carece de autorização, ou seja, a Lei 3/92 de 6 de Abril faz referência única e exclusivamente, ao aviso prévio para permitir as autoridades públicas, neste caso o Governo, garantir a segurança necessária durante a manifestação.

Neste contexto e perante uma flagrante tentativa de condicionar o exercício da liberdade de manifestação pacífica, a Direção da LGDH delibera o seguinte:  
1.Condenar sem reserva a decisão do Secretário de Estado da Ordem Pública que visa proibir as manifestações dos dois movimentos cívicos anunciadas para os dias 3 e 4 de Junho de 2017;

2.Exortar o Governo, em particular o Ministério do Interior, para abster-se dos actos susceptíveis de coarctar a liberdade de manifestação que constitui um dos alicerces da democracia e do Estado de Direito;

3.Reafirmar a determinação da LGDH em defesa dos direitos fundamentais, em particular da liberdade de manifestação, desde que seja, exercida de forma pacífica e ordeira.

Pela Paz, Justiça e Direitos Humanos
                                         
Bissau, 02 de Junho de 2017

A Direcção Nacional
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24 de maio de 2017

EM MENSAGEM ALUSIVA AO DIA DA AFRICA ANTÓNIO GUTERRES APELA O RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS



O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA DA ÁFRICA
25 de maio de 2017

O Dia de África de 2017 acontece num momento importante em que o continente faz esforços significativos para alcançar a paz, o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.

A comunidade internacional entrou no seu segundo ano de implementação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030, um esforço integrado para combater a pobreza, a desigualdade, instabilidade e injustiça no mundo. A África adotou o seu próprio plano ambicioso e complementar: a Agenda 2063.

Para que os povos de África beneficiem plenamente destes dois esforços importantes, estas duas Agendas devem estar estrategicamente alinhadas.

No mês passado, realizámos a primeira conferência anual ONU-União Africana, uma oportunidade única para reforçar a nossa parceria e aumentar o nosso quadro de cooperação. O nosso trabalho assenta sobre quatro princípios fundamentais: o respeito mútuo, a solidariedade, a complementaridade e interdependência.

A parceria da ONU com a África também está alicerçada num profundo sentimento de gratidão. A África fornece a maioria das forças de paz em todo o mundo. As nações africanas estão entre aquelas que acolhem a maioria dos refugiados e que demonstram maior generosidade a este respeito. A África alberga algumas das economias cujo crescimento é o mais rápido do mundo.
Toda a humanidade beneficiaria de ouvir os povos de África, aprender e trabalhar com eles.

Tudo começa pela prevenção. O nosso mundo deve passar da gestão de crises para a prevenção. Nós devemos quebrar o ciclo de intervenções muito tímidas e muito tardias.

A maioria dos conflitos atuais são internos, desencadeados por luta pelo poder e pelos recursos, desigualdade, marginalização, desprezo pelos direitos humanos e divisões sectárias. As vezes, são exacerbados pelo extremismo violento ou alimentam-no.

No entanto, a prevenção vai muito além do mero conflito. Um desenvolvimento sustentável e inclusivo é a melhor maneira de prevenir os conflitos e garantir uma paz sustentável. É essencial continuar a construir instituições mais eficazes e transparentes para resolver os problemas de governação e promover o Estado de direito, bem como os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais.

Nós podemos acelerar o progresso redobrando esforços para proporcionar oportunidades e esperança aos jovens. Mais de três em cada cinco africanos têm menos de 35 anos. Para aproveitar ao máximo este recurso valioso, é preciso investir mais no ensino, na formação, no trabalho decente e envolver os jovens na definição do seu futuro.

Nós devemos igualmente fazer o nosso melhor para capacitar as mulheres para que elas possam desempenhar plenamente o seu papel no desenvolvimento sustentável e na paz. Eu congratulo-me com o facto de a União Africana ter sempre dedicado especial atenção à igualdade de género e ao empoderamento das mulheres.

Neste Dia da África, eu reafirmo o meu compromisso, enquanto parceiro, amigo e fervente defensor deste continente diversificado e incontornável, em contribuir para uma outra história da África.

As crises são apenas uma visão parcial da história. De uma plataforma de cooperação mais elevada, podemos ver o quadro completo, reconhecer o enorme potencial e o sucesso notável do continente Africano.