28 de outubro de 2026

PRÉMIO JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS 2026: CANDIDATURAS ABERTAS ATÉ 21 DE NOVEMBRO

A Casa dos Direitos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, a Associação para a Cooperação Entre os Povos e o Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento lançam mais uma edição do Prémio Jornalismo e Direitos Humanos na Guiné-Bissau com o objectivo de reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e a defesa dos direitos humanos.

À semelhança dos anos anteriores, haverá a entrega de prémios nas categorias de TV, Rádio e Imprensa Escrita e online, no valor de 300.000 CFA, um computador portátil, um certificado e um conjunto de livros sobre Direitos Humanos.

Consulte o REGULAMENTO do prémio. As candidaturas estão abertas até 21 de Novembro de 2026.

Vide o Comunicado oficial aqui



21 de outubro de 2026

LGDH RECEBE DELEGAÇÃO DA COLIDE-GB E REAFIRMA COMPROMISSO COM O DIÁLOGO INCLUSIVO E O REGRESSO À ORDEM CONSTITUCIONAL

A Direção Nacional da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) recebeu, no dia 20 de outubro de 2026, na Casa dos Direitos, uma delegação do partido político COLIDE-GB, liderada pelo seu Presidente, Dr. Juliano Augusto Fernandes, no âmbito da iniciativa «Diálogo Inclusivo Nacional (DINAC)».

A visita revestiu-se de um particular simbolismo, representando também um regresso às origens do Dr. Juliano Augusto Fernandes, enquanto um dos fundadores da LGDH, instituição cuja história ajudou a construir e que continua a desempenhar um papel relevante na defesa dos direitos humanos e dos valores democráticos na Guiné-Bissau.

O encontro permitiu à delegação apresentar os objetivos e as principais linhas de orientação da iniciativa, bem como convidar a LGDH a integrar o processo de diálogo interguineense.

Em nome da LGDH, o seu Presidente, Bubacar Turé, saudou a iniciativa de promoção do diálogo e manifestou a disponibilidade da organização para participar e contribuir para este processo, no respeito pela sua independência e natureza apartidária.

As partes destacaram a importância do diálogo inclusivo na procura de soluções pacíficas e duradouras para os desafios nacionais, com particular enfoque no regresso à ordem constitucional e na realização de eleições livres, justas, transparentes e inclusivas.

Na ocasião, a LGDH entregou à delegação exemplares de algumas das suas publicações recentes, nomeadamente o Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau (2023–2025), financiado pela Cooperação Portuguesa; o Relatório do Observatório dos Direitos Humanos de 2025, financiado pela União Europeia; e o livro «Vozes pela Paz», resultado de uma consulta nacional sobre o papel do diálogo inter-religioso na promoção da paz e na prevenção da radicalização e do extremismo violento.

Esta última publicação foi produzida no âmbito do projeto «Observatório da Paz – Nô Cudji Paz», financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

A LGDH reafirma o seu compromisso com a promoção do diálogo inclusivo, a defesa dos direitos humanos e a consolidação do Estado de direito democrático, mantendo a sua independência institucional e abertura ao diálogo com todos os atores políticos e sociais comprometidos com a paz e a estabilidade da Guiné-Bissau.





20 de outubro de 2026

LGDH PARTICIPA EM ENCONTRO REGIONAL DE ALTO NÍVEL SOBRE JUSTIÇA TRANSICIONAL EM DAKAR

Teve início ontem, 19 de outubro, em Dakar, Senegal, um encontro regional de alto nível sobre Justiça Transicional, subordinado ao tema «Da descoberta da verdade à implementação integrada», organizado pelo Ministério da Justiça da Gâmbia e pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS).

O encontro, com a duração de dois dias, reúne diferentes atores para refletir sobre os desafios da implementação das recomendações da Comissão da Verdade, Reconciliação e Reparações (CVRR) da Gâmbia, com particular enfoque na responsabilização pelos crimes do passado, na reparação das vítimas, na reconciliação nacional e nas garantias de não repetição.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) participa neste importante fórum regional, representada pelo seu Segundo Vice-Presidente, Dr. Edmar Nhaga, com o propósito de recolher experiências e boas práticas que possam contribuir para a reflexão nacional sobre a Justiça Transicional na Guiné-Bissau.

Importa recordar que, em 2010, através do Despacho n.º 5/GP/ANP/2010, foi criada a Comissão Organizadora da Conferência Nacional, sob o lema «Caminhos para a Consolidação da Paz e do Desenvolvimento», que promoveu uma reflexão sobre as causas, consequências e formas de prevenção dos conflitos no país. O relatório produzido apontou, entre outros caminhos, a Justiça Transicional como instrumento para enfrentar o passado e construir um futuro de paz. Contudo, as sucessivas crises político-institucionais impediram a concretização deste importante desígnio nacional.

Enquanto a Gâmbia, desde 2017, tem vindo a transformar a busca da verdade num processo de responsabilização, reparação e reconciliação, a Guiné-Bissau continua confrontada com o desafio de romper com os ciclos de impunidade e instabilidade.

Para a LGDH, a experiência gambiana constitui uma oportunidade de aprendizagem e um importante estímulo à retoma do debate nacional sobre a necessidade de enfrentar, com coragem e responsabilidade, as feridas do passado, colocando as vítimas no centro do processo.

A Guiné-Bissau não pode continuar a adiar o seu encontro com a verdade e a justiça. Sem memória, não há reconciliação genuína; sem justiça, não há paz sustentável.

Porque a paz duradoura não se decreta: constrói-se com verdade, justiça, reparação, reconciliação e garantias de não repetição.

 





16 de outubro de 2026

SOCIEDADE CIVIL GUINEENSE PARTICIPA EM CONSULTAS DE ALTO NÍVEL COM A UNIÃO AFRICANA, EM DAKAR

Dez altos dirigentes das Organizações da Sociedade Civil (OSC) da Guiné-Bissau participam, de 15 a 17 de outubro de 2026, em Dakar, em consultas de alto nível promovidas pela União Africana. 

As consultas visam analisar a situação política e dos direitos humanos na Guiné-Bissau, identificar oportunidades de diálogo e mediação, promover a participação das mulheres, dos jovens e dos grupos marginalizados, reforçar o papel das OSC na prevenção de conflitos e formular recomendações concretas para a construção de uma paz duradoura.

O encontro reúne representantes da Comissão da União Africana, através da Divisão de Mediação e Diálogo, e conta com a participação de S. Ex.ª Patrice Trovoada, Enviado Especial da União Africana para a Guiné-Bissau, bem como de membros do Painel dos Sábios, nomeadamente S. Ex.ª Domitien Ndayizeye, antigo Presidente do Burundi; e S. Ex.ª Juíza Effie Owuor, magistrada queniana.

A sociedade civil democrática guineense reafirma que a solução da crise exige mais do que eleições: exige diálogo político inclusivo, instituições credíveis, justiça independente, combate à impunidade, respeito pelos direitos humanos, igualdade de género e consolidação do Estado de direito democrático.

À margem do encontro, estão previstas sessões de trabalho com representações diplomáticas, organizações da sociedade civil e organizações internacionais sediadas em Dakar, bem como visitas a locais históricos do Senegal.

Profundamente empenhadas na paz e na estabilização da Guiné-Bissau, as OSC encorajam a União Africana a intensificar os seus esforços de diálogo e mediação, em articulação com a CEDEAO, as Nações Unidas, a União Europeia e a CPLP, assegurando a participação efetiva da sociedade civil.

As organizações participantes agradecem à União Africana pela iniciativa e a abertura ao diálogo, bem como à CMI – Fundação Martti Ahtisaari para a Paz, organização finlandesa independente, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção e resolução de conflitos através do diálogo e da mediação. pela assistência técnica prestada. 

A Guiné-Bissau merece uma paz com justiça, uma democracia com instituições credíveis e um futuro de liberdade, dignidade e paz. 

Dakar, 16 de outubro de 2026

As organizações participantes 




PROJETO BOA GOVERNAÇÃO INAUGURA NOVO PAVILHÃO ESCOLAR COM TRÊS SALAS DE AULA NA ENA, EM BAFATÁ

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) participou hoje, 15 de outubro de 2026, na cerimónia oficial de inauguração e entrega de um novo pavilhão escolar, composto por três salas de aula, à Direção da ENA, em Bafatá. A infraestrutura, avaliada em mais de 30 milhões de francos CFA, foi financiada através do Fundo de Desenvolvimento Local do Projeto Boa Governação, implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), com financiamento da União Europeia e cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

A cerimónia foi presidida por Orben Nilson, Chefe da Secção de Política, Imprensa e Informação da Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, e contou com as presenças de Racinela Silva (IMVF), Seco Mussa Sidibe (régulo de Bafatá), Dauda Bá (presidente do Grupo de Ação Local – GAL), Uri Cali Sani (em representação da Delegacia Regional da Educação) e Mamadi Queluntan Indjai (em representação do diretor-geral da ENA). A LGDH esteve representada pela sua Vice-Presidente, Claudina Viegas.

A nova infraestrutura representa um importante contributo para a melhoria das condições de ensino e aprendizagem, proporcionando aos alunos e professores um ambiente mais digno, seguro e adequado. Mais do que a construção de três salas de aula, esta iniciativa constitui um investimento na dignidade humana, na igualdade de oportunidades e no futuro das novas gerações.

Um dos momentos marcantes da cerimónia foi o reconhecimento do Grupo de Ação Local (GAL), cujo empenho, resiliência e capacidade de mobilização comunitária foram determinantes para a concretização desta iniciativa, demonstrando que o desenvolvimento sustentável se constrói com a participação ativa das comunidades.

Na sua intervenção, Claudina Viegas, Vice-Presidente da LGDH, expressou o seu reconhecimento à União Europeia, pelo financiamento, ao Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., pelo cofinanciamento do projeto, e ao IMVF, pela sua implementação, bem como às autoridades locais, à Direção da ENA e a todos os intervenientes que contribuíram para esta realização.

Claudina Viegas sublinhou ainda que o direito à educação não se limita ao acesso à escola, mas exige condições dignas de aprendizagem, um ensino de qualidade e igualdade de oportunidades para todas as crianças. Neste sentido, apelou à comunidade escolar, às autoridades competentes e à população local para que assumam, conjuntamente, a responsabilidade pela preservação e manutenção da infraestrutura, garantindo a sua utilização em benefício das gerações presentes e futuras.

Esta ativista dos direitos humanos reafirmou igualmente o compromisso da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) com a promoção do direito à educação, o reforço da participação cidadã e a consolidação da boa governação, enquanto pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva, solidária e assente no respeito pela dignidade humana.

Construir uma escola é abrir portas ao conhecimento, criar oportunidades e devolver esperança às crianças e às comunidades. É construir, hoje, as bases de um futuro mais justo e digno para todos.








9 de outubro de 2026

LGDH CONGRATULA NAVI PILLAY PELA ATRIBUIÇÃO DO PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2026.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) congratula a jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay pela atribuição do Prémio Nobel da Paz 2026, distinção que reconhece uma trajetória de décadas dedicada à defesa dos direitos humanos, da justiça internacional, da dignidade humana e da luta contra a impunidade.

A trajetória de Navi Pillay está profundamente ligada à história da defesa dos direitos humanos em África. Iniciou o seu percurso na luta contra o apartheid na África do Sul, colocando o Direito ao serviço das vítimas da discriminação e da repressão. Posteriormente, levou esse compromisso às instituições internacionais de justiça, desempenhando funções no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde participou em decisões de grande relevância para o Direito Internacional, nomeadamente para o reconhecimento da violação e de outras formas de violência sexual como atos susceptíveis de constituir genocídio e crimes contra a humanidade.

Navi Pillay exerceu igualmente funções como juíza do Tribunal Penal Internacional e, entre 2008 e 2014, desempenhou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, assumindo uma das mais elevadas responsabilidades internacionais na promoção e proteção dos direitos humanos.

Mais recentemente, enquanto Presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestiniano Ocupado, Navi Pillay continuou a defender a aplicação do Direito Internacional e a responsabilização perante alegadas violações graves. Em Setembro de 2025, a Comissão concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e apontou alegado incitamento ao genocídio por altos responsáveis israelitas.

Para a LGDH, esta distinção constitui um reconhecimento da importância da independência dos mecanismos de proteção dos direitos humanos e reafirma um princípio fundamental: a defesa da dignidade humana, a proteção das vítimas e a responsabilização por graves violações dos direitos humanos devem prevalecer independentemente do Estado, do poder ou da condição dos seus autores.

A atribuição do Prémio Nobel da Paz a Navi Pillay reveste-se igualmente de particular significado para o continente africano e constitui uma referência para as organizações e defensoras e defensores dos direitos humanos que, diariamente, trabalham pela consolidação do Estado de direito, pela justiça, pela liberdade e pelo combate à impunidade.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos endereça as suas mais sinceras felicitações a Navi Pillay por esta distinção, reconhecendo o seu contributo para a promoção dos valores universais dos direitos humanos, da justiça e da paz.

A LGDH reafirma, nesta ocasião, a sua convicção de que não pode haver paz sustentável sem justiça, nem justiça sem respeito pela dignidade e pelos direitos fundamentais de todas as pessoas.

Bissau, 9 de Outubro de 2026




5 de outubro de 2026

LGDH SAÚDA DESARMAMENTO DAS MILÍCIAS E EXIGE LIBERTAÇÃO DE TODOS OS DETIDOS, FIM DA IMPUNIDADE E RESTAURAÇÃO DAS LIBERDADES

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), no cumprimento da sua missão de promoção e proteção dos direitos humanos na Guiné-Bissau, acompanha com particular atenção os recentes desenvolvimentos da situação política e de segurança no país e congratula-se com o anunciado desarmamento das milícias consideradas forças irregulares, cujas atuações têm sido reiteradamente denunciadas pela organização. A LGDH considera que esta medida, a ser efetivamente concretizada, representa um passo importante para a restauração da legalidade, da segurança e da confiança dos cidadãos.

Nos últimos seis anos, a Guiné-Bissau atravessou um período particularmente preocupante em matéria de direitos humanos e liberdades fundamentais. Cidadãos, ativistas, políticos e, sobretudo, vozes discordantes foram vítimas de atos de violência, incluindo raptos, espancamentos e alegadas execuções sumárias, sem que, até à presente data, se tenha verificado uma responsabilização efetiva dos respetivos autores.

A persistência destes atos ilegais e criminosos instalou um clima generalizado de medo e intimidação, levando vários cidadãos ao exílio. Paralelamente, assistiu-se ao progressivo enfraquecimento das instituições democráticas e judiciárias, pilares essenciais do Estado de Direito e da proteção dos direitos e liberdades fundamentais.
Para mais detalhes vide a versão integral de Comunicado de Imprensa  



1 de outubro de 2026

LGDH PARTICIPA NO 5.º FÓRUM AFRICANO SOBRE EMPRESAS E DIREITOS HUMANOS EM DAKAR

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) participa no 5.º Fórum Africano sobre Empresas e Direitos Humanos, que decorre em Dakar, Senegal, de 29 de Setembro a 1 de Outubro de 2026, reunindo mais de 700 participantes de diferentes países, entre representantes de governos, empresas, organizações da sociedade civil, instituições de direitos humanos, especialistas e parceiros internacionais.

A LGDH está representada por Fatumata Samira Sanó, Secretária Nacional para os Assuntos Penitenciários e responsável pela Avaliação e Gestão de Riscos, cuja participação no Fórum conta com o importante apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no quadro do reforço das capacidades e da participação da sociedade civil guineense nos espaços de diálogo e intercâmbio sobre direitos humanos.

Sob o tema “Concretizar o Direito a um Ambiente Limpo, Saudável e Sustentável através de uma Conduta Empresarial Responsável”, o Fórum aprofunda o debate sobre a relação entre actividades empresariais, direitos humanos, protecção ambiental, justiça climática e desenvolvimento sustentável, com particular atenção à prevenção dos impactos negativos das actividades económicas e ao reforço dos mecanismos de responsabilização e reparação. 

No âmbito dos trabalhos, a LGDH participou na sessão dedicada ao tema “Da Conformidade à Reciprocidade: Promover Leis Vinculativas de Direitos Humanos e Diligência Ambiental em África para a Justiça Climática e o Desenvolvimento Sustentável”, centrada na necessidade de reforçar os mecanismos jurídicos e institucionais de responsabilização das empresas.

Os debates do Fórum incidem sobre quatro áreas prioritárias: devida diligência em matéria de direitos humanos e ambiente; água, saneamento, higiene e direitos fundiários; transição justa e direitos humanos; e acesso à reparação para grupos afectados e vulneráveis. 

Para a LGDH, esta participação constitui uma importante oportunidade para reforçar conhecimentos, partilhar experiências, estabelecer redes de cooperação e contribuir para o aprofundamento da agenda sobre Empresas e Direitos Humanos na Guiné-Bissau, promovendo uma actividade económica que respeite a dignidade humana, os direitos das comunidades e a protecção do ambiente.

A LGDH agradece e reconhece o importante apoio do PNUD, que tornou possível a sua participação neste relevante espaço continental de diálogo, aprendizagem e promoção dos direitos humanos.

Pela Paz, Justiça e Direitos Humanos






24 de setembro de 2026

MENSAGEM DA LGDH ALUSIVA A 53 º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDENCIA DA GUINÉ-BISSAU

𝟱𝟯 𝗔𝗡𝗢𝗦 𝗗𝗘 𝗜𝗡𝗗𝗘𝗣𝗘𝗡𝗗Ê𝗡𝗖𝗜𝗔: 𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗙𝗢𝗥𝗠𝗔𝗥 𝗔 𝗟𝗜𝗕𝗘𝗥𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗘𝗠 𝗗𝗜𝗚𝗡𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘

Neste 24 de Setembro, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) saúda o povo guineense e presta homenagem a Amílcar Cabral, aos Combatentes da Liberdade da Pátria e a todos os que se sacrificaram pela liberdade, soberania e dignidade nacional.

Celebrar a Independência é honrar esta memória, mas também reconhecer que os sonhos de Cabral e dos Combatentes da Liberdade da Pátria continuam, em aspectos fundamentais, por cumprir.

Como recordava Amílcar Cabral:

“É uma luta para ter pão, para ter terra, mas livremente. Uma luta para ter escolas, para que as crianças não sofram, para ter hospitais. É isso a nossa luta. E também uma luta para mostrar à face do mundo que somos gente com dignidade, com a sua personalidade própria.”

Cinquenta e três anos depois, estas palavras continuam a interpelar a nossa consciência colectiva. A Independência só alcança a sua verdadeira dimensão quando a liberdade conquistada se traduz em dignidade, direitos, justiça social, oportunidades e melhores condições de vida para o povo.

Apesar das enormes potencialidades humanas e naturais da Guiné-Bissau, grande parte da população continua confrontada com a pobreza e dificuldades de acesso à água potável, energia eléctrica, serviços de saúde de qualidade, emprego e oportunidades. Persistem igualmente a discriminação e as desigualdades que afectam as mulheres e outros grupos vulneráveis, limitando o pleno exercício dos seus direitos, a sua participação e o acesso equitativo às oportunidades. A corrupção, a impunidade e as fragilidades institucionais continuam a condicionar a transformação das riquezas e potencialidades do país em desenvolvimento e bem-estar para todos.

A Independência deve, por isso, ser sentida na vida quotidiana das pessoas: na criança que tem acesso à educação, na família que dispõe de água e eletricidade, no cidadão que encontra saúde e justiça, na mulher que exerce plenamente os seus direitos e participa em igualdade, no jovem que encontra oportunidades para construir o seu futuro na sua própria terra e nas pessoas em situação de vulnerabilidade que não podem continuar a ser deixadas para trás.

Por isso, não podemos continuar a desperdiçar energias em atos e discursos que alimentam o ódio, aprofundam divisões e aumentam as fissuras na sociedade e que, sobretudo, tendem a desviar as atenções dos verdadeiros problemas do país. Nenhuma diferença política, étnica, religiosa, cultural ou regional deve ser maior do que aquilo que nos une enquanto povo e Nação.

É tempo de colocar a Guiné-Bissau e as legítimas aspirações do seu povo no centro das nossas prioridades: combater a pobreza, a corrupção e a impunidade; eliminar a discriminação e as desigualdades; melhorar os serviços essenciais; criar oportunidades; fortalecer as instituições e a justiça; proteger os direitos humanos; e preservar a paz e a coesão nacional.

A geração da libertação entregou-nos uma Pátria independente. Cabe à nossa geração transformar essa conquista numa Pátria de dignidade, igualdade, justiça, paz e oportunidades para todos. É essa a melhor forma de honrar o sacrifício daqueles que lutaram pela nossa liberdade e de transmitir às próximas gerações um país à altura dos sonhos que estiveram na origem da nossa Independência.

Menos ódio e divisão. Mais diálogo e união. Menos interesses particulares. Mais compromisso com a Guiné-Bissau. Honrar a Independência é transformar a liberdade conquistada em dignidade para o nosso povo.




21 de setembro de 2026

DIA INTERNACIONAL DA PAZ: LGDH APRESENTA MANIFESTO DE 10 PONTOS E APELA À RESPONSABILIDADE DE TODOS PELA PAZ NA GUINÉ-BISSAU

“Quando a paz, a confiança e as instituições se fragilizam, não há verdadeiros vencedores: perde a Guiné-Bissau e perdemos todos.”

Por ocasião do Dia Internacional da Paz, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) apresentou hoje, na Casa dos Direitos, em Bissau, o Manifesto de 10 Pontos Essenciais para a Paz, a Coesão Nacional e o Estado de Direito na Guiné-Bissau, lançando um apelo à responsabilidade colectiva e à mobilização de todos em defesa da paz.

Para a LGDH, a paz não é apenas a ausência de guerra ou violência. É dignidade, liberdade, justiça, igualdade, inclusão, instituições credíveis, diálogo e esperança num futuro melhor.

Por isso, a organização alerta: A relativa acalmia reinante no país não deve ser confundida com uma paz consolidada. A paz deve ser protegida antes de estar ameaçada, o diálogo deve prevalecer sobre o confronto e as instituições devem ser fortalecidas antes que uma crise de confiança se transforme numa crise de convivência nacional.

Dez compromissos por uma Guiné-Bissau em paz

O Manifesto propõe uma agenda nacional assente em dez prioridades fundamentais: preservar a paz e prevenir conflitos comunitários; promover um diálogo nacional inclusivo; estabelecer um roteiro consensual para o retorno à ordem constitucional; reduzir as tensões e rejeitar a violência; colocar os interesses superiores da Guiné-Bissau em primeiro lugar; fortalecer a justiça e combater a impunidade, a corrupção, a criminalidade organizada e o tráfico de droga; garantir direitos, liberdades, igualdade de género e inclusão das pessoas com deficiência; criar condições para eleições transparentes, inclusivas, livres e justas; combater as vulnerabilidades sociais e os discursos de ódio; e transformar a prevenção e o diálogo numa política permanente.

A LGDH chama particularmente a atenção para as tensões e conflitos comunitários relacionados com a posse e o uso da terra, o roubo de gado bovino e outros factores de conflito, defendendo o reforço da prevenção, da segurança, do alerta precoce, da mediação e do diálogo nas comunidades.

No domínio da justiça e dos direitos humanos, a LGDH apela ao cumprimento das decisões judiciais e à libertação imediata dos cidadãos, civis e militares, cuja detenção tenha sido judicialmente declarada ilegal, e manifesta preocupação com pessoas que permanecem privadas de liberdade, algumas há mais de um ano sem processo judicial.

A organização reclama igualmente investigações independentes, imparciais e credíveis às graves violações dos direitos humanos, incluindo o esclarecimento das circunstâncias das mortes de Mamadu Tanu Bari e Vigário Luís Balanta, e defende que eventuais responsabilidades criminais sejam apuradas nos termos da lei.

A paz constrói-se antes da crise

O Manifesto reflecte também a experiência acumulada pela LGDH através do projecto Observatório de Paz – Nô Cudji Paz, implementado durante os últimos quatro anos, em parceria com o Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), com financiamento da União Europeia e cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

A experiência reforça uma mensagem central: prevenir é tão importante quanto reagir. O diálogo comunitário e inter-religioso, a participação das mulheres e dos jovens, a inclusão, a mediação e a cooperação entre instituições e sociedade civil são instrumentos fundamentais para preservar a convivência pacífica.

Neste Dia Internacional da Paz, a LGDH apela aos actores políticos, instituições públicas, sociedade civil, forças de defesa e segurança, lideranças religiosas e tradicionais, mulheres, jovens e cidadãos para que saiam das zonas de conforto, superem interesses particulares e coloquem a Guiné-Bissau acima das diferenças.

A paz não pertence a um partido, instituição, grupo ou geração. Pertence a todos. Preservá-la é proteger o presente, reconstruir a confiança e salvaguardar o futuro das próximas gerações.

Para mais detalhes, vide o  MANIFESTO na íntegra




20 de setembro de 2026

GUARDA PRISIONAL ASSINALA 16 ANOS COM FOCO NA DIGNIDADE E NOS DIREITOS HUMANOS

No passado dia 18 de setembro, no Estabelecimento Prisional de Bafatá, no âmbito das atividades de celebração do Dia dos Guardas Prisionais, decorreu uma ação de formação dirigida aos guardas prisionais.

A sessão teve como facilitador o Dr. Edmar Nhaga, Segundo Vice-Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), e foi dedicada ao tema “O Papel do Guarda Prisional no Sistema de Justiça e os Direitos Humanos”.

Durante a sua intervenção, Edmar Nhaga destacou a importância do tema, sublinhando que a privação da liberdade não retira nem diminui a dignidade inerente à pessoa humana e que, por conseguinte, os direitos fundamentais das pessoas privadas de liberdade devem ser respeitados e protegidos.

A este propósito, fez referência às Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos (Regras de Nelson Mandela), enquanto importante instrumento internacional de referência para a proteção da dignidade e dos direitos das pessoas privadas de liberdade, salientando a sua relevância para o sistema prisional da Guiné-Bissau.

Na sua abordagem, deu particular atenção à proteção dos direitos das mulheres reclusas e das pessoas com deficiência, destacando a necessidade de o sistema prisional ter em consideração as suas necessidades específicas e assegurar condições de detenção adequadas, dignas e livres de qualquer forma de discriminação. Sublinhou, igualmente, a importância de uma atuação dos guardas prisionais assente no respeito pela dignidade humana, na igualdade de tratamento e na proteção das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Sob o lema “Segurança, Dignidade, Disciplina e Reinserção Social”, o Corpo da Guarda Prisional assinala, este ano, 16 anos de existência. A efeméride reuniu, em Bafatá, guardas prisionais provenientes de diferentes estabelecimentos prisionais, bem como uma importante delegação do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, da qual faz parte o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais e Reinserção Social, para uma celebração de três dias (18, 19 e 20 de setembro).

A participação da LGDH insere-se no quadro das boas relações institucionais com o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, particularmente com a Direção-Geral dos Serviços Prisionais, à qual agradecemos o convite e a abertura demonstrada, que reforçam o compromisso comum com um sistema prisional mais justo, humano e respeitador dos direitos humanos.

Como nos lembrou Nelson Mandela: “Uma nação julga-se pela forma como trata os que estão mais em baixo. Cada guarda, em cada turno, escreve uma parte desse julgamento.”

Parabéns aos guardas prisionais pelos 16 anos! Que a segurança, a dignidade, a disciplina e a reinserção social continuem a guiar o vosso serviço.




31 de agosto de 2026

LGDH EXIGE A LIBERTAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL DOS JORNALISTAS ARBITRARIAMENTE DETIDOS

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) acompanha com profunda preocupação e particular atenção as informações relativas às detenções arbitrárias de dois jornalistas da Rádio Capital FM, Sulai Seide e Nelson António da Silva, ocorridas ontem, 30 de agosto de 2026.

A LGDH condena, com a máxima firmeza, as detenções dos dois profissionais da comunicação social, por considerar que qualquer ato arbitrário contra jornalistas no exercício das suas funções constitui uma grave ameaça à liberdade de imprensa, à liberdade de expressão e ao direito dos cidadãos à informação.

Num Estado de direito, a liberdade de imprensa não é uma concessão do poder, mas um direito fundamental e uma das garantias essenciais da democracia. Os jornalistas devem poder exercer a sua profissão livremente, sem intimidação, perseguição, ameaça ou detenção arbitrária.

As detenções de jornalistas constituem, por isso, atos de extrema gravidade, sobretudo quando ocorrem no contexto do exercício das suas funções profissionais. Qualquer tentativa de intimidar, silenciar ou condicionar a comunicação social representa um grave atentado contra as liberdades fundamentais e contra o próprio Estado de direito.

A LGDH recorda que os profissionais da comunicação social não podem ser tratados como inimigos por exercerem o seu dever de informar. Quando um jornalista é arbitrariamente detido por fazer o seu trabalho, não é apenas o jornalista que é silenciado: é também o direito de toda a sociedade a ser informada que é colocado em causa.

Perante a gravidade da situação, a Liga Guineense dos Direitos Humanos exige a libertação imediata e incondicional dos jornalistas Sulai Seide e Nelson António da Silva, bem como o cabal esclarecimento das circunstâncias e dos fundamentos que estiveram na origem das suas detenções.

A LGDH exige igualmente às autoridades competentes o respeito integral pelas garantias legais e processuais dos dois jornalistas e apela à cessação imediata de quaisquer atos de intimidação, perseguição ou represália contra profissionais da comunicação social.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos reafirma que não existe democracia sem liberdade de imprensa, nem Estado de direito sem respeito pelos direitos e liberdades fundamentais.



12 de agosto de 2026

LGDH E FORÚM DE PAZ UNEM FORÇAS PELA PAZ, DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS

Nesta data histórica, em que assinala 35 anos da sua fundação, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) celebrou hoje um importante Acordo de Parceria Estratégica com o Fórum de Paz, organização incontornável na promoção e consolidação da paz, do diálogo e da prevenção de conflitos na Guiné-Bissau.

Esta parceria representa a união de duas organizações comprometidas com a construção de uma sociedade mais pacífica, tolerante, democrática e respeitadora da dignidade da pessoa humana.

Num momento particularmente importante para o nosso país, reafirmamos a convicção de que a paz se constrói pelo diálogo, pela tolerância, pela justiça, pelo respeito pelas diferenças e pela proteção dos direitos humanos.

A LGDH e o Fórum de Paz assumem, assim, o compromisso de reforçar a sua cooperação e desenvolver iniciativas conjuntas em prol da prevenção de conflitos, consolidação da paz, coesão social, democracia, Estado de direito e direitos humanos.

Juntas e coesas por uma Guiné-Bissau de paz, tolerância, democracia e respeito pelos direitos humanos.

A paz é responsabilidade de todos. E juntos somos mais fortes na sua construção.





A LGDH ESTÁ NO YOUTUBE!

No âmbito da celebração dos seus 35 anos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos lançou, no dia 12 de agosto, o seu novo canal oficial no YouTube e o podcast “ Bantaba di Diritus ”, Um espaço de diálogo, informação e educação em direitos humanos, pensado para aproximar os direitos humanos das pessoas e, sobretudo, das novas gerações.

O 1.º episódio já está disponível Aqui

Assista, partilhe e faça parte deste novo bantaba de diálogo e cidadania.




LGDH ASSINALA 35 ANOS DE EFESA DOS DIREITOS HUMANOS E EXIGE A LIBERTACAO DE TODOS OS CIVIS E MILITARES DETIDOS ILEGALMENTE

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) assinala hoje o seu 35.º aniversário, reafirmando o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da democracia, do Estado de direito, da justiça e da dignidade humana e exigindo a libertação imediata de todos os cidadãos civis e militares ilegalmente privados da liberdade.

Através de uma Declaração Institucional que assinala os 35 anos da sua fundação, a LGDH faz um balanço do percurso iniciado em 1991, presta homenagem aos seus fundadores e a todos os que contribuíram para a consolidação da organização, analisa os principais desafios atuais em matéria de direitos humanos e Estado de direito e anuncia novas iniciativas de formação e cidadania.

Fundada a 12 de agosto de 1991, a LGDH nasceu por iniciativa de um grupo de cidadãos guineenses liderado pelo Dr. Fernando Gomes e integrado pelos Drs. Joãozinho Vieira Có, José Santos Pereira, Daniel Sow, Aliu Sissé, Malam Djaura, Inácio Tavares, Abel da Silva Gomes, Juliano Augusto Fernandes, Vicente da Costa Blute e António Mindela dos Santos. A organização surgiu antes da abertura do país ao pluralismo democrático e tornou-se uma das instituições pioneiras da sociedade civil guineense.

Ao longo de três décadas e meia, a Liga acompanhou alguns dos momentos mais difíceis da história do país, incluindo conflitos político-militares, golpes de Estado, crises institucionais e ruturas da ordem constitucional. Apesar das intimidações, perseguições e restrições às suas atividades, manteve a sua independência e a sua intervenção na defesa das vítimas, da Constituição e dos princípios democráticos.

Na sua Declaração Institucional, a LGDH manifesta profunda preocupação com a situação de cidadãos civis e militares que permanecem ilegalmente privados da liberdade há mais de um ano, alguns sem acusação formal, julgamento ou pleno exercício das garantias do devido processo legal. A organização exige a libertação imediata de todas as pessoas detidas sem fundamento legal. Quando existam indícios da prática de infrações penais, defende que os visados sejam apresentados perante a autoridade judicial competente e beneficiem plenamente do direito de defesa, do contraditório e de um julgamento justo e imparcial.

A Liga manifesta igualmente preocupação com a ausência de progressos nas investigações sobre as presumíveis execuções sumárias de Vigário Luís Balanta e Mamadu Tano Bari, apelando ao Ministério Público para que promova investigações independentes, céleres, imparciais e eficazes. Alerta também para os riscos da manipulação ou instrumentalização da justiça para fins políticos e presta homenagem aos magistrados que permanecem fiéis à Constituição e à lei, com particular referência aos juízes e promotores da justiça militar.

No domínio dos direitos económicos, sociais e culturais, a LGDH alerta para as dificuldades persistentes no acesso à água, saúde, educação, habitação, emprego e outros serviços essenciais. Os dados do Observatório dos Direitos Humanos 2025 revelam que 53% das famílias inquiridas vivem em situação de sobrelotação, apenas 29% dispõem de água canalizada e 51% dependem de poços. Na saúde, 84,5% das mulheres suportam custos associados às consultas pré-natais, enquanto o abandono escolar das raparigas atinge 46,4% no ensino secundário e 45,8% no ensino superior. A organização chama ainda a atenção para as desigualdades que afetam mulheres, raparigas e pessoas com deficiência, sublinhando que a democracia deve traduzir-se também na melhoria efetiva das condições de vida dos cidadãos.
Relativamente ao referendo popular sobre a revisão constitucional, a LGDH alerta para a necessidade de respeito pela legalidade vigente. Recorda que o n.º 2 do artigo 9.º da Lei n.º 12/2026, de 16 de junho, Lei do Referendo Popular, proíbe a convocação e a realização de referendos entre a data da marcação e a realização de eleições para os órgãos de soberania ou do poder local.

Estando as eleições presidenciais e legislativas marcadas para 6 de dezembro de 2026, através do Decreto Presidencial n.º 2/2026, a LGDH considera que a realização do referendo durante este período se confronta com uma proibição legal expressa. Para a organização, num Estado de direito, a lei vincula cidadãos, governantes e instituições, não podendo qualquer conveniência política prevalecer sobre uma disposição legal expressa.

A Liga manifesta ainda particular preocupação com a supressão, no texto constitucional revisto, do mecanismo de fiscalização da constitucionalidade, considerando que este constitui uma garantia essencial da supremacia da Constituição e da proteção dos cidadãos contra o exercício arbitrário do poder. Defende, por isso, que qualquer revisão constitucional deve resultar de um processo participado, inclusivo e transparente, assente no diálogo e na procura de consensos nacionais.

Perante a atual situação do país, a LGDH apela ao restabelecimento da normalidade constitucional através da realização de eleições livres, justas, inclusivas, transparentes e credíveis. Defende igualmente o diálogo como caminho para a superação da crise e rejeita a violência, o discurso de ódio, a intolerância e todas as formas de incitamento à divisão.

No plano da sua própria governação, a LGDH reafirma o compromisso com a integridade, a transparência e a prestação de contas. Com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foram aprovados importantes instrumentos de governação interna, incluindo o Plano Estratégico 2026–2030, a Comissão de Ética e Integridade e o Mecanismo de Integridade da organização.

No quadro das comemorações dos 35 anos, a LGDH anuncia também a criação da Academia de Direitos Humanos, destinada especialmente a jovens ativistas e defensores dos direitos humanos, estudantes universitários e mulheres. A iniciativa promoverá cursos e ações de formação nos domínios dos direitos humanos, cidadania, democracia e Estado de direito, contribuindo para a formação e capacitação de uma nova geração de cidadãos e defensores dos direitos humanos.
As comemorações ficam igualmente marcadas pelo lançamento do “Bantaba di Dirítus”, o novo podcast da LGDH. Inspirado no bantaba enquanto espaço tradicional de encontro, escuta e diálogo, o podcast pretende aproximar os direitos humanos das comunidades e das novas gerações, através de uma linguagem simples e acessível. Num contexto em que a informação pode ser limitada, fragmentada ou manipulada, a LGDH considera que informar é também proteger e promover uma cidadania mais consciente e participativa.

Ao assinalar esta data, a Liga presta uma homenagem especial aos seus fundadores, Dr. Fernando Gomes, Dr. Joãozinho Vieira Có, Dr. José Santos Pereira, Dr. Daniel Sow, Dr. Aliu Sissé, Dr. Malam Djaura, Dr. Inácio Tavares, Dr. Abel da Silva Gomes, Dr. Juliano Augusto Fernandes, Dr. Vicente da Costa Blute e Dr. António Mindela dos Santos, cujo legado continua a inspirar a missão da organização. A homenagem estende-se aos antigos e atuais dirigentes, colaboradores, ativistas e a todos os que contribuíram para estes 35 anos de defesa dos direitos humanos.

A LGDH expressa igualmente o seu reconhecimento aos parceiros nacionais e internacionais que têm apoiado a sua ação, com destaque para a União Europeia, a Cooperação Portuguesa e as agências do Sistema das Nações Unidas, particularmente o PNUD.

Trinta e cinco anos depois da sua fundação, a LGDH reafirma a determinação de continuar a ser uma voz livre, independente e firme na defesa dos direitos humanos, da Constituição, da democracia e do Estado de direito. Renova, assim, o compromisso de trabalhar por uma Guiné-Bissau mais livre, justa, democrática, pacífica e inclusiva, assente na força do direito, na justiça, no diálogo e no respeito pela dignidade humana.
Para mais detalhes vide a DECLARAÇÃO INSTITUCIONAL NA INTEGRA

Pela Paz, Justiça e Direitos Humos. 








9 de agosto de 2026

LGDH DISTINGUIDA COM O “PREMIO JUSTIÇA” PELA ORDEM DOS ADVOGADOS DA GUINÉ-BISSAU

É com profunda honra e orgulho que a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) recebeu ontem, dia 8 de agosto de 2026, o “Prémio Justiça”, atribuído pela Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, em reconhecimento do seu relevante papel na promoção e proteção dos direitos humanos na Guiné-Bissau.

A distinção teve lugar no âmbito das celebrações do 35.º aniversário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, sob o lema “Justiça Mais Próxima e Inclusiva”.

O galardão foi entregue ao Presidente da LGDH, Sr. Bubacar, numa cerimónia que contou com a presença de membros do corpo diplomático acreditado no país, representantes de organizações internacionais, advogados, juízes, magistrados do Ministério Público e outras individualidades.

Para a LGDH, este prémio representa muito mais do que uma distinção. É o reconhecimento de anos de luta, persistência e compromisso inabalável com a dignidade humana, a justiça, a liberdade e a defesa dos direitos fundamentais.

Ao receber o galardão, o Presidente da LGDH manifestou a sua profunda gratidão à Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau por este gesto de reconhecimento, destacando o papel incontornável desta instituição na realização da justiça, na defesa dos direitos e liberdades fundamentais e na consolidação da democracia e do Estado de direito.

A LGDH felicita calorosamente a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau pelos seus 35 anos de existência e de serviço à justiça e à sociedade guineense, reiterando a sua inteira disponibilidade para continuar a aprofundar e consolidar as relações de cooperação e a parceria estratégica entre as duas instituições.




A LGDH recebe este Prémio Justiça com profunda gratidão e orgulho, mas também com um renovado sentido de responsabilidade, consciente de que cada reconhecimento reforça o nosso compromisso e exige ainda mais de nós na defesa intransigente dos direitos humanos, da justiça e da dignidade humana na Guiné-Bissau.

Enquanto houver direitos por defender, injustiças por denunciar e cidadãos que necessitem de uma voz em defesa da sua dignidade, a LGDH continuará firme, presente e determinada.

Este prémio pertence também a todos aqueles que, ao longo dos anos, têm caminhado ao lado da LGDH e que acreditam que uma Guiné-Bissau mais justa, democrática, inclusiva e respeitadora dos direitos humanos não é apenas possível é uma causa pela qual vale a pena continuar a lutar.

A luta pelos direitos humanos continua.




3 de agosto de 2026

PELA DIGNIDADE DOS TABALHADORES – 3 DE AGOSTO DIA DOS TRABALHADORRES DA GUINÉ-BISSAU

Neste Dia dos Trabalhadores, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) homenageia todas as mulheres e homens que, com dedicação, coragem e resiliência, contribuem diariamente para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Esta data constitui também um momento de reflexão e de renovação do compromisso com a promoção do trabalho digno, da justiça social e do pleno respeito pelos direitos laborais, pilares indispensáveis para a construção de uma sociedade democrática, inclusiva e próspera.

Apesar do seu inestimável contributo para o desenvolvimento nacional, muitos trabalhadores continuam a enfrentar condições laborais precárias, salários de miséria, atrasos no pagamento dos vencimentos, insegurança no emprego e a ausência de proteção social adequada. Esta realidade fere a dignidade humana, aprofunda as desigualdades e compromete o desenvolvimento económico e social do país. Nenhum trabalhador deve ser condenado à pobreza enquanto, com o seu esforço, sustenta famílias e contribui para o progresso da Nação.

A LGDH apela ao Estado, aos empregadores e à sociedade para que assumam um compromisso firme com a valorização do trabalho, a proteção dos direitos dos trabalhadores e o cumprimento efetivo das leis nacionais e dos instrumentos internacionais de direitos humanos.

Porque defender os direitos dos trabalhadores é defender a dignidade humana. Não há desenvolvimento sustentável com trabalho precário, nem justiça social com salários de miséria.

Feliz Dia dos Trabalhadores da Guiné-Bissau!




31 de julho de 2026

A LGDH PARTICIPA NO I COLÓQUIO DA JUVENTUDE PELOS DIREITOS HUMANOS

No âmbito da colaboração institucional entre a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) e a Juventude Guineense pelos Direitos Humanos (JGPDH), a LGDH participou na Mesa de Honra do I Colóquio da Juventude pelos Direitos Humanos, realizado hoje no Centro Cultural Português, sob o tema "Juventude, Direitos Humanos e Democracia: Construindo uma Cultura de Paz, Participação e Desenvolvimento Sustentável na Guiné-Bissau."

A LGDH foi representada pela sua 1.ª Vice-Presidente, Dra. Claudina Viegas, que, no discurso de abertura, destacou que a juventude não deve esperar pela mudança, mas assumir-se como protagonista da transformação da Guiné-Bissau. Sublinhou que a democracia se fortalece com cidadãos ativos, éticos e comprometidos com os direitos humanos, e que investir na juventude é investir num futuro de paz, justiça, boa governação e desenvolvimento sustentável.

A LGDH felicita a JGPDH pela organização desta importante iniciativa, que evidencia a capacidade, a liderança e o compromisso da juventude guineense com a construção de um país mais democrático, inclusivo e próspero.

A Liga reafirma o seu compromisso de continuar a fortalecer esta parceria e a apoiar iniciativas que promovam os direitos humanos, a participação cívica e o protagonismo da juventude na construção da Guiné-Bissau que todos desejamos.




LGDH SAÚDA A INAUGURAÇÃO DA NOVA DIRETORIA DA PROVÍNCIA LESTE DA POLÍCIA JUDICIÁRIA E REFORÇA O APELO À DESCENTRALIZAÇÃO DA JUSTIÇA

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Sr. Bubacar Turé, participou hoje, 31 de julho de 2026, em Bafatá, na cerimónia de inauguração do novo edifício da Diretoria da Província Leste da Polícia Judiciária (PJ).

A construção desta importante infraestrutura foi financiada pelo Estado da Guiné-Bissau e pelo Fundo das Nações Unidas para a Consolidação da Paz, refletindo o compromisso conjunto com o reforço das instituições do Estado, da justiça e da segurança.

A inauguração deste edifício representa um marco histórico e um passo decisivo no processo de descentralização da Polícia Judiciária, aproximando a justiça dos cidadãos e reforçando a capacidade do Estado no combate à criminalidade organizada, em particular ao tráfico de droga, ao tráfico de seres humanos e a outras formas de criminalidade transnacional.

O novo edifício permitirá igualmente fortalecer a capacidade operacional da Polícia Judiciária na prevenção, investigação e repressão da violência baseada no género, contribuindo para uma resposta mais eficaz na proteção das vítimas e na responsabilização dos seus autores.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos congratula-se vivamente com esta importante conquista para o sistema nacional de justiça e segurança, considerando que representa um investimento estratégico no reforço do Estado de Direito Democrático, na proteção dos direitos fundamentais e na promoção da segurança dos cidadãos.

A LGDH expressa o seu apreço ao Estado da Guiné-Bissau e ao Fundo das Nações Unidas para a Consolidação da Paz pelo apoio prestado à construção desta infraestrutura, que representa um investimento estratégico no reforço das capacidades da Polícia Judiciária e no fortalecimento das instituições de justiça. Este contributo será determinante para a consolidação da paz, da segurança, do Estado de Direito Democrático e da proteção dos direitos humanos na Guiné-Bissau.

Neste contexto, a LGDH exorta as autoridades nacionais a prosseguirem os esforços de descentralização da Polícia Judiciária, assegurando a sua presença em todas as regiões do país, de forma a garantir um acesso mais célere, equitativo e eficaz à justiça para toda a população.

A LGDH reafirma, por fim, a sua total disponibilidade para aprofundar a cooperação institucional com a Polícia Judiciária, na defesa da dignidade da pessoa humana, na proteção dos direitos das mulheres, das crianças e de outros grupos em situação de vulnerabilidade, bem como no fortalecimento da cultura dos direitos humanos e do Estado de Direito na Guiné-Bissau.




27 de julho de 2026

LGDH CONDENA MAIS UM RAPTO E ESPANCAMENTO BRUTAL E ALERTA PARA A ESCALADA DA VIOLÊNCIA E DA IMPUNIDADE NA GUINÉ-BISSAU

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) registou, através de fontes familiares, mais um grave caso de rapto e espancamento de um cidadão guineense, ocorrido na noite de sábado, 25 de julho de 2026, na cidade de Bissau.

Segundo as informações recolhidas junto dos familiares, o Sr. André da Costa, conhecido por Carlitos e alto dirigente do PAIGC, encontrava-se, por volta das 22h00, num estabelecimento comercial situado no centro da cidade de Bissau, quando foi intercetado por um grupo de cinco indivíduos armados e encapuzados. A vítima foi coagida a entrar numa viatura e conduzida para as imediações do edifício das Nações Unidas, onde foi barbaramente espancada, tendo sido posteriormente abandonada no local em estado grave.

Em consequência da violência das agressões sofridas, o Sr. Carlitos Costa encontra-se internado numa unidade hospitalar de Bissau, onde recebe tratamento médico.

Este crime representa mais um episódio de uma sucessão de atos de extrema violência que, nos últimos anos, têm mergulhado o país num ambiente de medo, intimidação e insegurança. O recurso sistemático ao rapto, ao espancamento e ao terror contra cidadãos constitui uma afronta intolerável à Constituição da República, ao Estado de direito democrático e aos mais elementares direitos humanos.

A LGDH manifesta a sua profunda preocupação com a crescente banalização da violência como instrumento de intimidação política. Os sucessivos ataques contra cidadãos, os quais permanecem sem investigação credível e sem responsabilização dos seus autores, alimentam um perigoso sentimento de impunidade que encoraja a repetição destes crimes e mina a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.

É inaceitável que, num Estado que se proclama democrático e de direito, continuem a ocorrer raptos, espancamentos e outras formas de violência com características semelhantes, sem que os seus autores sejam identificados, julgados e punidos. A incapacidade ou falta de vontade das autoridades para travar este ciclo de violência coloca em causa o dever constitucional do Estado de garantir a segurança, a liberdade e a integridade física dos cidadãos.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos condena com a máxima veemência este ato criminoso e exige que as autoridades judiciárias desencadeiem, de imediato, uma investigação séria, independente, célere e transparente, que conduza à identificação, detenção e responsabilização criminal de todos os autores materiais e morais deste crime.

A LGDH exige igualmente às autoridades nacionais no sentido de assumirem as suas responsabilidades constitucionais e adotem medidas concretas para pôr fim à atuação de grupos envolvidos em raptos, espancamentos e outras formas de violência política. A proteção da vida, da liberdade e da integridade física dos cidadãos não é uma opção política; é um dever indeclinável do Estado.

O silêncio, a passividade e a impunidade perante crimes desta natureza apenas contribuem para a degradação do Estado de direito, para o enfraquecimento das instituições democráticas e para a normalização da violência como método de resolução de divergências políticas. Nenhuma democracia pode sobreviver quando o medo substitui a liberdade e quando a força prevalece sobre a lei.

A LGDH manifesta a sua total solidariedade para com o Sr. Carlitos Costa, a sua família e todas as vítimas da violência política e da criminalidade impune, reafirmando que continuará a denunciar, sem hesitação, todas as violações dos direitos humanos e a exigir verdade, justiça e responsabilização.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos apela ainda aos partidos políticos, às organizações da sociedade civil, às confissões religiosas, aos parceiros internacionais e a todos os cidadãos para que rejeitem, de forma inequívoca, a violência e a impunidade, unindo esforços na defesa da paz, da democracia, da legalidade constitucional e da dignidade da pessoa humana.

Pela paz, Justiça e Direitos Humanos 

Bissau, 27 de julho de 2026

A Direção Nacional