24 de outubro de 2018

ABERTO CONCURSO PARA A 5ª EDIÇÃO DO PRÉMIO "JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS"


Pelo quinto ano consecutivo, os promotores do Observatório dos Direitos – a LGDH, a ACEP e o CEsA – divulgam este galardão com o objectivo de reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e à defesa dos direitos humanos. 

O concurso inclui um prémio de 150.000 CFA e um conjunto de livros sobre a temática dos direitos humanos para cada uma das categorias seguintes: 

a) Imprensa escrita de âmbito nacional;
b) Rádio de âmbito nacional ou comunitária;
c) Televisão de âmbito nacional ou comunitário.


O período para entrega das candidaturas começa a 24 de Outubro e termina a 19 de Novembro de 2018, nos seguintes endereços:

a) Entrega por correio eletrónico: lgdh6@hotmail.com ou observatoriodireitos.gb@gmail.com;

b) Entrega em suporte papel: Observatório dos Direitos, sito na Casa dos Direitos, Rua Guerra Mendes, Bissau. 

O anúncio de abertura do prémio pode ser consultado aqui e o regulamento aqui.

O anúncio dos vencedores do concurso e a cerimónia de entrega dos prémios serão realizadas nas celebrações no dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de Dezembro 2018. 

Esta 5.ª edição do prémio conta com o apoio financeiro da Cooperação Portuguesa

13 de agosto de 2018

O FUNDADOR E PRIMEIRO PRESIDENTE DA LGDH FERNANDO GOMES ENDEREÇA MENSAGEM DE CONFORTO AOS ACTIVISTAS

27 anos de vida e luta da Liga Guineense dos Direitos Humanos

Ainda no quadro das celebrações do 27º aniversário da LGDH, o Dr. Fernando Gomes o fundador e primeiro presidente da nossa organização,surpreendeu-nos com uma mensagem de conforto cujo conteúdo reproduzimos aqui:

A Liga Guineense dos Direitos Humanos completou ontem, dia 12 de agosto, 27 anos de existência. 

Congratulo-me com a valiosa contribuição que a Liga tem dado à sociedade guineense desde a sua fundação. 
Os inúmeros problemas, sacrifícios e dificuldades que os dirigentes e membros da Liga enfrentaram ao longo destes 27 anos, serviram apenas para fortalecer as convicções dos seus dirigentes e membros, da necessidade de lutarem pelo respeito dos direitos humanos. As dificuldades, sacrifícios e muitas vezes riscos de vida e de integridade física, perda de liberdade, apenas serviram para fortalecer a convicção e a determinação dos dirigentes e membros da Liga. 

Temos realmente muitos motivos para nos orgulharmos do trabalho realizado e dos grandes homens e mulheres que têm dirigido esta organização tão prestigiada e reconhecida no país e a nível internacional. 

Como um dos membros fundadores da Liga, só tenho motivos para me orgulhar de ter a graça de Deus de ter sido o pioneiro deste grande projeto, da equipa e do trabalho que tive o privilégio de dirigir, do trabalho que tenho visto crescer e frutificar pelos que se seguiriam, como é o caso da atual direção da Liga liderado pelo Dr. Augusto Mário da Silva, e constituída essencialmente por jovens quadros dotados de muita competência e sobretudo com coragem e determinação. 

A mesma intrepidez, ousadia e certeza das lutas que a Liga abraçou há 27 anos, tem caraterizado a forma como a atual direção abraça as lutas atuais, neste percurso difícil de trabalho na área de Direitos Humanos. Então, tal como hoje, colhemos muitas rosas, mas que apesar da beleza e perfume, nunca deixam de ter espinhos. 

Pergunto:Valeu a pena picar-nos nos espinhos? Valeu a pena ser preso humilhado, torturado, ameaçado? Valeu a pena ser perseguido? Valeram a pena tantas outras situações de sofrimento, dor e angústia? Valeu a pena ser traído até por alguns colegas de trincheira? 
Claro que sim, porque as rosas ainda perduram, e qual semente em boa terra plantada, tem-se multiplicado, permitindo-nos espelhar em cada uma das memórias de uma caminhada que, essa sim, mais do que tudo valeu a pena. 

Parabéns a todos os membros da Liga Guineense dos Direitos Humanos. 
Fernando Gomes 

Fundador e 1º Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos


A LGDH COMEMORA O SEU 27º ANIVERSÁRIO

12 de Agosto de 1991 – 12 de Agosto de 2018, 27 anos ao serviço dos direitos humanos!

Hoje comemoramos um dia especial para todos os ativistas, pois é o aniversário da nossa organização, a razão pela qual trabalhamos diariamente em prol da promoção e defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau.
Para comemorar a data, o Presidente da LGDH Augusto Mário Da Silva, endereçou uma mensagem aos ativistas da organização que se segue: 
Passaram 27 anos que um grupo de cidadãos, liderado pelo Dr. Fernando Gomes fundou a LGDH, a maior organização de defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Durante estes longos e espinhosos anos, a LGDH esteve na vanguarda da luta pela afirmação da democracia e do estado de direito no país, tendo muito dos seus dirigentes, sido alvos de várias perseguições e detenções arbitrárias.

Não obstante estas adversidades, a LGDH é hoje um exemplo de determinação, de combate e de sucesso na Guiné-Bissau, embora continua a ter pela frente, inúmeros desafios conexos com a difícil situação conjuntural com que depara o nosso país.
Como sabem, a história da Guiné-Bissau está infelizmente associada a instabilidade política, assassinatos, espancamentos dos cidadãos, detenções arbitrárias, entre outros casos que permanecem impunes.

Os ativistas dos direitos humanos nunca resignaram, pelo contrario, sempre enfrentaram todas as adversidades, pondo em perigo as suas próprias vidas e integridades físicas em nome da promoção e proteção dos direitos humanos.
Nem sempre as nossas posições foram bem entendidas por todos, daí está a origem das mais diversas criticas, acusações de parcialidade, de defesa dos criminosos, enfim, do partidarismo. 
Tais criticas e acusações, devem ser tidas em consideração não pelas suas veracidades, mas por refletirem a dimensão e nobreza do valor da promoção e proteção dos direitos humanos. Os valores que enformam e guiam a nossa atuação, não estão ao alcance de todos, por isso é que torna mais difícil e espinhosa a missão de defesa da dignidade da pessoa humana.
Os direitos humanos tanto são inspiradores como práticos. Os princípios dos direitos humanos sustentam a visão de um mundo livre, justo e pacifico e estabelecem padrões mínimos segundo os quais os indivíduos e as instituições, em toda a parte, deverão tratar as pessoas. Os direitos humanos também legitimam a que as pessoas ajam quando esses padrões mínimos não são respeitados, porque as pessoas continuam a ter direitos humanos, mesmo que as leis ou quem se encontra no poder não os reconheçam ou protejam. 
É nesse espírito que se insere a nossa persistência quotidiana de proteger os direitos humanos de todos os guineenses.
Quero em nome da LGDH deixar aqui os meus sinceros votos de gratidão, primeiramente aos fundadores da nossa organização e em segundo lugar a todos os ativistas que diariamente, lutam, defendem os direitos humanos, pondo em risco as suas próprias vidas e integridades físicas.
A luta é nobre mas espinhosa, o futuro é incerto mas promissor, pois nós acreditamos que uma outra Guiné-Bissau é possível!

1 de agosto de 2018

CORRUPÇÃO UM ATAQUE AOS DIREITOS HUMANOS

Desde 2015, a Transparência Internacional, uma organização que monitoriza os índices de corrupção ao nivel mundial, tem classificado a Guiné-Bissau na lista de 5 países mais corruptos do mundo.
Este rótulo que mancha a credibilidade do estado guineense, levanta o véu sobre a verdadeira dimensão da prática de corrupção na Guiné-Bissau.
A corrupção, a espoliação de recursos públicos e a colocação ilícita de riqueza no estrangeiro constituem, no seu conjunto, um problema cuja magnitude não deve ser menorizada em comparação com as formas mais visíveis e directas – mais brutais de violência política e militar que assolou o país desde a sua independência. 
A situação é gritante e tanto quanto insustentável, na justa medida medida em que, as instituições que por lei, estão incumbidas a responsabilidade de perseguir e punir os infractores, renunciaram simplesmente esta missão.
O sistema judiciário no seu todo, foi tomada de assalto por redes criminosas de corrupção. Hoje, a incerteza, a insegurança jurídica, a desordem, e a injustiça tomaram conta da sociedade guineense.
Roubam ostensivamente o erário público sem que ninguém os incomodasse. Quando se tenta questionar as origens dos bens ilicitamente adquiridos, tocam falsos alarmes de perseguição política. A Guiné-Bissau sim, é um país de impunidade.
Que país é este, onde os medicamentos doados pelos parceiros internacionais são desviados para fins privados? E, por conseguinte,  a pior desgraça que pode acontecer com um guineense, é adoecer neste país.

Que país é este onde a esmagadora maioria dos alunos que concluem o 12º ano de escolaridade, não sabem se quer, formular corretamente uma frase? 

Que país é este cuja esmagadora maioria da população vive no limiar de pobreza, mas cujos dirigentes se auto atribuem salários e subsídios vergonhosos?

Enfim, a lista de interrogações são extensas, tendo em consideração inúmeros e injustificados problemas que o país enfrenta.

Enquanto a corrupção e impunidade prevalecer, dificilmente os guineenses concretizarão os sonhos de desenvolvimento e viver em paz sustentável. 

Esta triste realidade tem de mudar, mas a mudança não cairá ao de cima.

23 de julho de 2018

PARLAMENTO AGENDA A DISCUSSÃO E APROVAÇÃO DE TRÊS DIPLOMAS PROTETORAS DOS DIREITOS HUMANOS E IGUALDADE DE GÉNERO

“Mais vale tarde do que nunca”

O parlamento guineense agendou para a sua sessão extraordinária que arranca no próximo dia 23 de Julho de 2018, a discussão e aprovação de três projetos de leis, concretamente contra o casamento forçado, a mendicidade forçada e lei de quotas para a participação das mulheres na política e nas esferas de tomada de decisão.

Os anteprojetos de leis contra o casamento forçado e mendicidade forçada, foram elaborados no quadro do projeto “Ora di No Diritu”  uma iniciativa da ACEP- Associação para a Cooperação entre os Povos em parceria com AMIC - Associação dos Amigos da Criança, a LGDH - Liga Guineense dos Direitos HumanosTINIGUENA - Esta Terra é Nossae aCasa dos Direitos, com os apoios financeiros da União Europeia e Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

Com o agendamento e eventual aprovação destes importantes instrumentos jurídicos de proteção dos direitos humanos e promoção da igualdade de género, a Guiné-Bissau dará um salto qualitativo no cumprimento das suas obrigações internacionais.

Os fenómenos de casamentos infantis e forçados, e a mendicidade forçada traduzem graves violações dos direitos das crianças, com indicadores muito preocupantes na Guiné-Bissau. Aliás, a LGDH registou casos que culminaram com as mortes das vítimas.
Nesta perspectiva, a LGDH encoraja a ANP ( parlamento) no sentido de aprovar estas legislações, por forma a erradicar estas práticas nocivas contra as crianças.

Dizia o líder saudoso líder imortal Amílcar Cabral que “ As Crianças são as flores da nossa luta e a razão principal do nosso combate”. A melhor forma de concretizar este sonho do fundador na nossa nacionalidade, é proteger os direitos das crianças.

Vamos todos dizer aos deputados aprovem estas leis contra:
Mendicidade  forçada, Casamento precoce e forçado, vamos dizer aos deputados que a igualdade de género é um assunto de direitos humanos!