31 de março de 2026

DISCURSO DE LANÇAMENTO DO RELATÓRIO SOBRE A SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ-BISSAU (2023–2025)

Permitam-me iniciar esta intervenção com um profundo sentimento de dor, consternação e responsabilidade.

Há instantes, no cumprimento da sua missão de promoção e proteção dos direitos humanos na Guiné-Bissau, a Liga Guineense dos Direitos Humanos reuniu-se com os familiares do Vigário Luís Balanta, Presidente do “Movimento Pó di Terra”.

Foi-nos então confirmada uma notícia que nos abala profundamente. O corpo encontrado nos arredores de Nhacra corresponde, tragicamente, ao Vigário Luís Balanta.

Hoje, não falamos apenas de um relatório. Falamos de uma vida interrompida, de uma família devastada e de um país confrontado com a perda de um dos seus cidadãos.

A execução sumária do Vigário Luís Balanta não é apenas um crime. É um sinal profundamente inquietante de que, na Guiné-Bissau, o exercício de direitos fundamentais pode transformar-se num ato de risco extremo.

E quando isso acontece, não está apenas em causa a segurança individual. Está em causa a própria essência da dignidade humana e do Estado de Direito.

Este facto não pode ser aceite como normal, não pode ser relativizado e não pode ficar sem resposta.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos condena, de forma firme e inequívoca, este assassinato e exige que as autoridades nacionais atuem com a urgência, a seriedade e a responsabilidade que a gravidade deste crime impõe, assegurando o apuramento da verdade e a responsabilização dos seus autores.

À família enlutada, reiteramos as nossas mais sentidas condolências.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

É neste contexto que hoje se procede ao lançamento do Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau, referente ao período de 2023 a 2025.

O documento ora apresentado resulta de um processo rigoroso, metódico e sistemático de recolha, tratamento e análise de informação, com o objetivo de proporcionar uma avaliação abrangente, fundamentada e tecnicamente sustentada do estado dos direitos humanos no país.

Mais do que um exercício descritivo, trata-se de um instrumento de leitura crítica da realidade nacional.

Importa, contudo, sublinhar que este relatório introduz uma dimensão de inovação particularmente relevante.

Por um lado, este relatório procede a uma análise rigorosa do grau de cumprimento das recomendações do Exame Periódico Universal do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, ao qual a Guiné-Bissau foi submetida em diversas ocasiões, colocando a realidade nacional perante o espelho dos compromissos internacionais livremente assumidos pelo Estado.

Por outro lado, confere visibilidade às iniciativas e ações concretas desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil, cuja atuação tem sido determinante na resistência, promoção e proteção dos direitos humanos, mesmo em contextos particularmente adversos.

Esta dupla abordagem confere ao relatório uma dimensão robusta e inovadora, permitindo não apenas aferir os progressos alcançados, mas, sobretudo, evidenciar com clareza as lacunas persistentes entre os compromissos assumidos e a sua efetiva concretização na vida dos cidadãos.

A análise realizada permite concluir, de forma inequívoca, que, durante o período em apreço, a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau registou uma regressão significativa, consistente e transversal, afetando as diversas dimensões dos direitos fundamentais.

O que este relatório revela, em última análise, é uma realidade profundamente preocupante, em que, para demasiados cidadãos, os direitos fundamentais deixaram de constituir garantias efetivas e passaram a traduzir-se em incertezas quotidianas, marcadas pela insegurança, pela ausência de proteção e pela fragilização progressiva da dignidade humana.

Esta regressão inscreve-se num quadro mais amplo de fragilização institucional, de erosão progressiva dos mecanismos de garantia da legalidade constitucional e de limitações persistentes no funcionamento efetivo das instituições públicas.

A instabilidade política e governativa, longe de constituir um fenómeno conjuntural, assume um caráter estrutural, com impactos diretos sobre a separação de poderes, o exercício do controlo democrático e a capacidade do Estado de assegurar a proteção efetiva dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Neste contexto, importa afirmar com clareza: a democracia e o Estado de Direito na Guiné-Bissau encontram-se sob pressão real, correndo o risco de se esvaziarem de conteúdo e de se reduzirem a meras formalidades, dissociadas da vida concreta dos cidadãos.

Excelências,

No domínio dos direitos civis e políticos, o relatório identifica a ocorrência de práticas que suscitam séria e reiterada preocupação, nomeadamente detenções arbitrárias, raptos, espancamentos e práticas de tortura, a par de denúncias consistentes de maus-tratos em contexto de detenção, bem como restrições à liberdade de imprensa e de expressão.

Tais práticas são incompatíveis com os princípios fundamentais do Estado de Direito democrático e não podem ser toleradas.

No plano institucional, o sistema judicial enfrenta constrangimentos profundos que afetam o seu funcionamento, a sua credibilidade e a perceção da sua independência, com repercussões diretas no acesso à justiça, particularmente para as populações mais vulneráveis.

A limitação do funcionamento de tribunais de proximidade compromete seriamente a efetividade do direito de acesso à justiça, contribuindo para o alargamento de espaços de impunidade e para a erosão da confiança dos cidadãos nas instituições.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A crise dos direitos humanos na Guiné-Bissau não se limita ao plano político e institucional. Manifesta-se igualmente de forma expressiva no domínio dos direitos económicos, sociais e culturais.

Quando o acesso à saúde, à educação, à alimentação e a condições mínimas de vida deixa de ser garantido, os direitos humanos deixam de ser uma promessa coletiva e passam a ser uma realidade negada no quotidiano das pessoas.

As fragilidades persistentes no setor da saúde assumem particular gravidade.

Várias mulheres parturientes continuam a morrer por motivos evitáveis, tornando o ato de dar a vida um risco inaceitavelmente elevado no país.

As infraestruturas hospitalares permanecem, em muitos casos, distantes das populações, limitando o acesso efetivo aos cuidados de saúde.

As condições de diagnóstico são precárias e, em diversos estabelecimentos de saúde, praticamente inexistentes, comprometendo a capacidade de resposta adequada às necessidades dos utentes.

A esta realidade acresce a manifesta insuficiência de recursos humanos qualificados, agravando ainda mais as limitações do sistema e comprometendo a prestação de cuidados de saúde com qualidade e segurança.

Estas circunstâncias não constituem apenas dificuldades operacionais. Representam limitações graves ao exercício efetivo do direito à saúde e à proteção da vida.

No setor da educação, persistem constrangimentos estruturais com impacto direto no acesso e na continuidade do ensino.

Adicionalmente, os elevados níveis de pobreza, a insegurança alimentar e o acesso limitado a serviços básicos evidenciam vulnerabilidades estruturais profundas que afetam diretamente as condições de vida da população.

O acesso à água potável e à energia elétrica continua a constituir, para a maioria da população, um luxo inacessível, em clara contradição com os compromissos do Estado em matéria de direitos fundamentais.

Esta realidade compromete o bem-estar das populações, a dignidade humana e as condições mínimas para o desenvolvimento.

Importa igualmente sublinhar que as violações dos direitos das mulheres, das crianças e das pessoas com deficiência persistem de forma preocupante, refletindo desigualdades estruturais profundas.

A ausência de políticas públicas eficazes orientadas para a proteção destes grupos vulneráveis agrava a sua exposição à discriminação, à exclusão e à violência.

Excelências,

O relatório demonstra, de forma clara, a interdependência entre fragilidade institucional, instabilidade política e deterioração das condições de exercício dos direitos fundamentais.

Esta realidade exige respostas estruturais, integradas e sustentadas.

A reversão da tendência identificada pressupõe o reforço da legalidade constitucional, a garantia da independência do sistema judicial, o combate à impunidade e à corrupção, o reforço dos mecanismos de controlo democrático e a implementação de políticas públicas eficazes.

Exige, acima de tudo, vontade política clara, coerente e consequente.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Ao enquadrar a análise no âmbito da Revisão Periódica Universal, o relatório evidencia a persistência de uma distância significativa entre os compromissos internacionais assumidos e a sua concretização efetiva.

Essa distância deve ser reduzida com urgência.

A credibilidade do Estado mede-se pela sua capacidade de transformar compromissos em resultados concretos.

Neste contexto, importa reconhecer o papel relevante da sociedade civil, cuja atuação tem sido essencial na promoção e defesa dos direitos humanos.

Contudo, a responsabilidade primária pela proteção dos direitos humanos pertence ao Estado e não pode ser transferida.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O momento que o país atravessa é exigente, delicado e profundamente desafiante.

Mas é precisamente nos momentos mais difíceis que se mede a maturidade das nações e a capacidade das suas lideranças.

A Guiné-Bissau não pode continuar a ser um espaço de medo, de silêncio e de incerteza. Deve afirmar-se como um espaço de diálogo, de confiança e de respeito pela dignidade humana.

Hoje, mais do que nunca, impõe-se um compromisso coletivo com o diálogo, com a escuta e com a construção de soluções comuns.

Porque nenhum país se constrói na divisão.

Nenhuma democracia se fortalece no confronto permanente.

E nenhum Estado de Direito se consolida sem confiança entre cidadãos e instituições.

É tempo de escolher o caminho do diálogo.

É tempo de escolher o caminho da responsabilidade.

É tempo de devolver aos cidadãos a esperança de viver num país onde os seus direitos não sejam um risco, mas uma garantia.

Muito obrigado.

Para mais detalhes vide a versão integral do Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau ( 2023-2025).











9 de março de 2026

LGDH HOMENAGEIA LUÍSA ACABADO PELO SEU EXTRAORDINÁRIO CONTRIBUTO À CAUSA DOS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ-BISSAU

A Direção Nacional da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) prestou uma sentida homenagem à Doutora Luísa Catarina Acabado, cidadã portuguesa e grande amiga da Guiné-Bissau, em reconhecimento pelos relevantes e dedicados serviços prestados à Liga e à nobre causa da promoção e defesa dos direitos humanos no país.

Durante os últimos seis meses, Luísa Acabado colaborou de forma incansável e profundamente comprometida com a direção da Liga, contribuindo de maneira decisiva para o fortalecimento da governação interna da organização e para o reforço da sua capacidade institucional no cumprimento da sua missão de promoção e proteção dos direitos humanos. Importa sublinhar que todo este imenso trabalho foi desenvolvido de forma inteiramente voluntária e a título totalmente gratuito, num gesto de elevada generosidade e de profundo compromisso com a causa dos direitos humanos e com o fortalecimento da sociedade civil na Guiné-Bissau.

Enquanto consultora internacional, desempenhou um papel determinante na elaboração de instrumentos estratégicos de governação interna, fundamentais para consolidar a capacidade de intervenção da Liga e posicionar a organização em linha com os mais elevados padrões internacionais de gestão e governação das organizações da sociedade civil.

Na cerimónia de homenagem, que culminou com a atribuição de um certificado de reconhecimento ao mérito e a oferta simbólica de um pano de pente, expressão da rica tradição cultural guineense, o Presidente da LGDH, Sr. Bubacar Turé, destacou o elevado profissionalismo, a dedicação exemplar e o profundo sentido de compromisso demonstrados pela Doutora Luísa Catarina Acabado, sublinhando igualmente o caráter voluntário e solidário da sua contribuição, e desejando-lhe os maiores sucessos na sua trajetória profissional e pessoal.

Antes de prestar este importante contributo à Liga, Luísa Acabado integrou durante dois anos o Gabinete Integrado das Nações Unidas para o Apoio à Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS), onde também contribuiu para o fortalecimento das instituições e para a promoção da paz e da justiça no país.
Em 2025, concluiu com distinção o seu doutoramento, defendendo a tese intitulada “Justiça na Encruzilhada: Cooperação para o Desenvolvimento e os Processos de Resolução de Litígios por Atores Estatais e Não Estatais na Guiné-Bissau”, um trabalho académico de grande relevância que reflete o seu profundo compromisso com o estudo e a promoção da justiça no contexto guineense.

Este percurso revela uma ligação sincera, duradoura e profundamente solidária entre Luísa Acabado e a Guiné-Bissau, marcada por um compromisso genuíno com o fortalecimento do Estado de direito, da justiça e da dignidade humana. O gesto de dedicação voluntária demonstrado ao longo destes meses constitui um exemplo inspirador de solidariedade, generosidade e compromisso com os valores universais dos direitos humanos.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos expressa, por isso, a sua profunda gratidão à Doutora Luísa Catarina Acabado, reconhecendo que o seu contributo deixará uma marca duradoura no fortalecimento institucional da organização e na promoção de uma sociedade mais justa, democrática e respeitadora dos direitos humanos na Guiné-Bissau.





8 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES - 8 DE MARÇO

Por uma Guiné-Bissau de dignidade, igualdade e liberdade para todas as mulheres e raparigas

Celebra-se hoje, 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, uma data que simboliza a luta histórica das mulheres pela dignidade, igualdade e pleno reconhecimento dos seus direitos. Mais do que uma celebração, este dia é um momento de reflexão e mobilização para enfrentar as desigualdades persistentes que continuam a limitar a vida de muitas mulheres.

Na Guiné-Bissau, as mulheres constituem uma força essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento do país. São agricultoras que asseguram grande parte da produção alimentar, comerciantes que dinamizam a economia local, mães que educam as novas gerações e líderes comunitárias que fortalecem a coesão social. Apesar deste contributo indispensável, continuam a enfrentar profundas desigualdades estruturais que restringem o pleno exercício dos seus direitos.
Os dados disponíveis revelam desafios preocupantes. As mulheres permanecem largamente sub-representadas nos espaços de decisão política, ocupando apenas cerca de 9,8 por cento dos assentos no parlamento nacional. No domínio da educação, cerca de dois terços das mulheres adultas são analfabetas, o que limita significativamente as suas oportunidades de autonomia económica e participação cívica.

A pobreza afeta grande parte da população e atinge de forma particularmente severa as mulheres, muitas das quais dependem de atividades informais para garantir o sustento das suas famílias. No sector da saúde persistem desafios significativos, incluindo elevados níveis de gravidez na adolescência e limitações no acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

A violência baseada no género continua a ser uma realidade alarmante. Muitas mulheres permanecem expostas a diferentes formas de violência física, psicológica e sexual, frequentemente sem acesso efetivo à proteção e à justiça. Persistem igualmente práticas nocivas que atentam contra os direitos das mulheres e das raparigas. Dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos MICS 2019 indicam que mais de metade das mulheres na Guiné-Bissau foram submetidas à mutilação genital feminina e cerca de 37 por cento casaram antes dos 18 anos.

A recorrente instabilidade política e as fragilidades na governação têm agravado estas desigualdades, limitando a capacidade do Estado de implementar políticas públicas eficazes para promover a igualdade de género e proteger os direitos das mulheres.

Nenhuma sociedade pode alcançar desenvolvimento sustentável, justiça social ou democracia plena enquanto metade da sua população continuar a viver em condições de desigualdade.

Neste Dia Internacional da Mulher, a Liga Guineense dos Direitos Humanos presta uma homenagem profunda a todas as mulheres guineenses, cuja coragem, trabalho e resiliência sustentam diariamente a vida económica, social e comunitária do país. A elas devemos reconhecimento, respeito e justiça.

A LGDH reafirma o seu compromisso de continuar a denunciar todas as formas de discriminação e violência, mobilizar a sociedade e defender políticas públicas que garantam a todas as mulheres e raparigas dignidade, segurança, igualdade de oportunidades e o pleno exercício dos seus direitos humanos.

Porque, como inspira o pensamento de Amílcar Cabral, nenhum povo pode ser verdadeiramente livre enquanto as suas mulheres continuarem privadas de igualdade, dignidade e dos seus direitos fundamentais.




26 de fevereiro de 2026

PRESIDENTE DA LGDH APELA À CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA DA DEMOCRACIA ATRAVÉS DA IGUALDADE DE GÉNERO

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Sr. Bubacar Turé, presidiu hoje, dia 26 de fevereiro de 2026, à cerimónia de empossamento dos órgãos sociais da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, liderada pela Sr.ª Silvina Tavares, eleita na 3.ª Assembleia Geral da organização.

Na sua intervenção, o Presidente da LGDH destacou os desafios persistentes que ainda se colocam à plena participação das mulheres na vida política e social do país, sublinhando que, apesar dos avanços legislativos registados, a realidade continua a evidenciar profundas desigualdades.

Segundo referiu, dados recentes indicam que, não obstante a existência da Lei de Paridade, apenas cerca de 9,8% dos lugares no Parlamento são ocupados por mulheres, o que demonstra a distância entre a consagração legal e a efetiva igualdade na representação política.

O dirigente chamou igualmente a atenção para outras preocupações estruturais, nomeadamente o elevado número de casamentos precoces, salientando que mais de um quarto das jovens entre os 20 e os 24 anos foram casadas antes dos 18 anos, bem como para a persistência da violência baseada no género e as limitações à participação feminina no mercado de trabalho.

O Presidente da LGDH sublinhou ainda que a crónica instabilidade política e governativa da Guiné-Bissau constitui um fator estrutural que compromete o avanço das agendas de igualdade. Afirmou que sempre que o Estado enfraquece, as agendas de igualdade são adiadas, acrescentando que a consolidação democrática só será possível com a participação plena das mulheres nas decisões estratégicas do país.

Durante a sua intervenção, o Sr. Bubacar Turé dirigiu um apelo à sociedade guineense e, em particular, aos atores políticos, para que promovam uma mudança profunda de mentalidade e assegurem a implementação efetiva da Lei de Paridade.

Entre as medidas defendidas, destacou a necessidade de garantir a inclusão real das mulheres nos espaços de decisão, integrar a perspetiva de género nas políticas públicas e romper com padrões sociais que perpetuam desigualdades.

Aos novos responsáveis da Plataforma Política das Mulheres (PPM), o Presidente da LGDH reiterou a disponibilidade da organização para continuar a colaborar e apoiar iniciativas de promoção da igualdade de género e de proteção dos direitos das mulheres, considerando-as condições essenciais para a promoção da paz e a consolidação da democracia e do Estado de direito.

Por fim, apelou aos parceiros internacionais da Guiné-Bissau para que coloquem a igualdade de género no centro das suas prioridades de cooperação, defendendo que o reforço do apoio técnico e financeiro ao empoderamento das mulheres constitui um investimento estratégico na estabilidade, na democracia e no desenvolvimento sustentável do país.







12 de fevereiro de 2026

DIA INTERNACIONAL PARA A PREVENÇÃO DO EXTREMISMO VIOLENTO – 12 FEVEREIRO

O Dia Internacional para a Prevenção do Extremismo Violento quando Conduz ao Terrorismo, assinalado anualmente a 12 de fevereiro, foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da Resolução 77/243, com o objetivo de reforçar a sensibilização global para as ameaças associadas ao extremismo violento e promover a cooperação internacional na sua prevenção.

Em 2016, o então Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apresentou o Plano de Ação para a Prevenção do Extremismo Violento, que defende uma abordagem integrada, combinando medidas de segurança com políticas estruturais destinadas a enfrentar as causas profundas da radicalização, nomeadamente a exclusão social, as desigualdades, a marginalização juvenil, a fragilidade institucional e as violações dos direitos humanos.

Na África Ocidental, particularmente na região do Sahel, países como o Mali, o Burquina Faso e o Níger têm registado um agravamento da violência associada a grupos armados extremistas, incluindo o Boko Haram e o Estado Islâmico no Grande Saara. A persistência de fatores como pobreza, instabilidade política e conflitos comunitários continua a contribuir para a expansão do fenómeno.

Embora a Guiné-Bissau não figure entre os principais focos de violência extremista, apresenta vulnerabilidades estruturais que exigem uma abordagem preventiva contínua. A instabilidade política, o desemprego juvenil e as limitações socioeconómicas reforçam a necessidade de políticas inclusivas e de fortalecimento institucional.

Neste quadro, o Observatório da Paz – Nô Cudji Paz tem desempenhado um papel relevante na promoção da paz e na prevenção de conflitos, através da monitorização de riscos, do diálogo comunitário e da sensibilização para a cultura de paz e prevenção da radicalização. Encontra-se igualmente em curso um processo participativo de elaboração de um Plano Estratégico de Prevenção, envolvendo instituições públicas, sociedade civil e parceiros técnicos, com vista ao reforço da resiliência nacional.

Importa ainda destacar os esforços contínuos de promoção do diálogo inter-religioso na Guiné-Bissau, país reconhecido pela convivência harmoniosa entre diferentes confissões religiosas. O reforço da cooperação entre líderes religiosos, a realização de encontros ecuménicos e iniciativas conjuntas de sensibilização têm contribuído para consolidar a tolerância, a coesão social e a prevenção de narrativas extremistas.

A prevenção do extremismo violento constitui uma responsabilidade coletiva e permanente, exigindo compromisso político, cooperação internacional e envolvimento ativo das comunidades na construção de sociedades mais resilientes, inclusivas e pacíficas.