14 de janeiro de 2026

LGDH MANIFESTA PREOCUPAÇÃO COM A DETENÇÃO DE IAIA CARAQUE E APELA A SUA LIBERTAÇÃO

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) tomou conhecimento, com preocupação, da detenção do dirigente do Movimento Revolucionário Pó di Terra, Iaia Caraque, ocorrida em Bissau, ontem, dia 12 de Janeiro, no bairro de São Vicente de Paulo.

Segundo informações disponíveis, Iaia Caraque encontrava-se a exercer actividades profissionais, a pedido de um cliente, quando foi intercetado por quatro indivíduos armados, alegadamente agentes da Guarda Nacional, e posteriormente privado da sua liberdade, em circunstâncias que permanecem por esclarecer e relativamente às quais não foi possível confirmar, até ao momento, o cumprimento dos procedimentos legais aplicáveis.

A LGDH regista com séria preocupação que a referida detenção apresenta elementos suscetíveis de configurar uma privação arbitrária da liberdade, em possível desconformidade com a Constituição da República da Guiné-Bissau, a legislação nacional em vigor e as obrigações internacionais em matéria de direitos humanos assumidas pelo Estado guineense. 

Tais factos levantam questões quanto ao respeito pelos princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade no exercício das funções de manutenção da ordem e da segurança públicas.

Face à gravidade da situação, a LGDH apela à libertação imediata de Iaia Caraque e insta as autoridades competentes a assegurarem, sem demora, o pleno respeito pelos seus direitos fundamentais, nomeadamente o direito à liberdade e à segurança pessoal, bem como pelas garantias processuais legalmente previstas.




12 de janeiro de 2026

LGDH SAÚDA FIRMEMENTE A APLICAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA NO CASO DA MORTE DE LUÍS BEDAM


A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) saúda firmemente a decisão do Juiz de Instrução Criminal, datada de 12 de janeiro de 2026, que determinou a aplicação da medida de prisão preventiva a dois suspeitos no âmbito do processo relativo à morte do cidadão nacional Luís Bedam. A LGDH considera que esta decisão constitui um passo relevante no cumprimento das obrigações do Estado em matéria de prevenção da impunidade e de responsabilização por alegadas violações graves dos direitos humanos.

De acordo com informações prestadas por fontes familiares, Luís Bedam terá sido brutalmente espancado no dia 31 de dezembro de 2025, alegadamente por dois militares, vindo a falecer no dia 3 de janeiro de 2026 em consequência direta das agressões sofridas. Caso estes factos venham a ser confirmados, poderão configurar uma violação grave do direito à vida e da proibição absoluta de espancamentos e de outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, consagradas como normas imperativas do direito internacional dos direitos humanos.

A LGDH sublinha que o Estado tem a obrigação inequívoca de atuar com devida diligência para prevenir, investigar, punir e reparar violações graves dos direitos humanos, em particular quando existam indícios de envolvimento de agentes do Estado. A impunidade em casos desta natureza compromete a confiança pública nas instituições e enfraquece o Estado de Direito.

Neste contexto, a LGDH apela à cooperação institucional plena e efetiva entre os órgãos de justiça, as entidades de investigação criminal e as forças de defesa e segurança, de modo a assegurar o esclarecimento integral dos factos e a realização da justiça, em estrita conformidade com as garantias do devido processo legal.

A LGDH apela igualmente à serenidade, à vigilância cívica e à participação responsável dos cidadãos e da sociedade civil, reconhecendo o seu papel essencial na exigência de responsabilização, na promoção da transparência e na prevenção de futuras violações de direitos humanos.

Por fim, a LGDH reafirma o seu compromisso com a monitorização independente de casos de relevância pública, com a centralidade das vítimas e com o reforço de uma cultura de responsabilização e respeito pela dignidade inerente a todos os seres humanos, em consonância com os instrumentos internacionais de direitos humanos.




29 de dezembro de 2025

LGDH ALERTA PARA A CRESCENTE ESCALADA DE VIOLÊNCIA POLÍTICA NA GUINÉ-BISSAU

A LGDH registou mais um grave e chocante caso de espancamento brutal de um cidadão nacional, perpetrado por homens armados na sua própria residência, em Bissau.

Segundo fontes familiares, o Sr. Abubacar Martins Sambú, Coordenador do Movimento Guineense para a Democracia e o Desenvolvimento (MGDD), foi brutalmente agredido, no início da noite de ontem, 27 de Dezembro de 2025, por cerca de dez homens armados e encapuzados que invadiram a sua residência num dos bairros da capital, num ato de extrema violência e intimidação.

As mesmas fontes indicam que, antes de iniciarem as agressões, os atacantes exibiram à vítima um vídeo no qual esta criticava abertamente o atual momento político do país, num claro ato de retaliação, intimidação e tentativa de silenciamento da liberdade de expressão.

Em virtude da gravidade das agressões sofridas, a vítima teve de receber assistência médica de urgência numa unidade hospitalar.

Este novo ataque ocorre menos de uma semana após o brutal espancamento de Vladimir Deuna, dirigente político, agredido na sua própria casa, em Bissau, no dia 27 de Dezembro, por sete homens armados e encapuzados, confirmando a existência de um padrão sistemático, organizado e aterrador de violência política.

Hoje, dia 28 de Dezembro, fontes familiares do Dr. Augusto Nansambe confirmaram igualmente que este advogado e comentador político foi raptado na sua residência por um grupo de homens armados, que o conduziu para parte incerta, agravando ainda mais o clima de medo, insegurança e terror que se vive na capital.

À semelhança de outros casos recentes, os ataques têm sido executados com total impunidade pelos agressores, que semeiam o terror, utilizam a violência como instrumento de intimidação colectiva e circulam livremente por Bissau, sem qualquer reação visível das autoridades judiciais e de segurança.

Esta onda sem precedentes de violência e terrorismo contra cidadãos indefesos constitui uma prova inequívoca do clima de insegurança extrema e do estado de caos em que se encontra a Guiné-Bissau, marcada por uma sucessão de gravíssimas violações dos direitos humanos.

A LGDH condena, com a maior veemência, estas atrocidades bárbaras, que se inserem numa estratégia deliberada de intimidação, destinada a instalar o medo generalizado, impor o silêncio absoluto e neutralizar qualquer voz crítica, através de ataques à integridade física e psicológica dos cidadãos.

A Liga exige a libertação imediata e incondicional do Dr. Augusto Nansambe, responsabilizando integralmente os seus raptores pela sua integridade física, psicológica e pela sua vida.

A Liga alerta os perpetradores destes atos de que a responsabilidade criminal é pessoal e intransmissível. Cedo ou tarde, cada um responderá individualmente pelos seus atos, não existindo anonimato, encapuzamento ou proteção que possa isentar da responsabilidade por crimes cometidos contra cidadãos.

A Liga apela, uma vez mais, às autoridades de facto, para que cessem imediatamente todas as ações de violência, perseguição, rapto e intimidação contra os cidadãos e assumam, sem demora, a sua responsabilidade inalienável na proteção da vida, da dignidade humana e dos direitos fundamentais.












23 de dezembro de 2025

COMUNICADO DE IMPRENSA

O Consórcio da Casa dos Direitos denuncia com veemência a invasão das suas instalações, ocorrida ontem dia 22 de Dezembro de 2025, perpetrada por um grupo de agentes da Polícia de Intervenção Rápida, num ato de violência institucional sem precedentes e de extrema gravidade. 

Durante esta operação ilegal, dois funcionários da Liga Guineense dos Direitos Humanos foram arbitrariamente detidos, conduzidos ao Ministério do Interior e violentamente espancados, atos estes que foram deliberadamente filmados, configurando graves violações dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana. 

Este ataque ocorreu poucas horas após o termo de uma vigília pacífica e legítima, organizada pela LGDH no interior das instalações da Casa dos Direitos, com o objetivo de exigir a libertação imediata de todos os presos políticos.

De acordo com as informações apuradas, as vítimas sofreram lesões físicas, incluindo múltiplos hematomas e contusões, tendo recebido assistência médica de urgência, encontrando-se ainda em curso exames clínicos complementares. 

Num agravamento inadmissível da repressão, dois agentes da Polícia de Ordem Pública, identificados como pertencentes à Primeira Esquadra, regressaram às instalações hoje, dia 23 de Dezembro, expulsaram coercivamente os funcionários em exercício e impuseram um bloqueio ilegal ao acesso à instituição. Este ato inaceitável constitui uma afronta direta ao Estado de Direito, à democracia e à própria existência da Casa dos Direitos, cuja missão é a promoção dos direitos humanos, a defesa das liberdades fundamentais e da legalidade democrática.

O Consórcio da Casa dos Direitos condena de forma categórica e inequívoca estes atos ilegais, arbitrários e repressivos e exige a retirada imediata e incondicional de todas as forças de segurança das suas instalações. 

O Consórcio responsabiliza integralmente as autoridades de facto por qualquer dano físico, psicológico ou material causado aos seus membros e exorta-as a cessar imediatamente todas as práticas de intimidação, perseguição e violência contra defensores dos direitos humanos e cidadãos em geral. 

O Consórcio da Casa dos Direitos expressa a sua total solidariedade e apoio incondicional à direção da LGDH e aos seus ativistas, que, apesar das ameaças e da repressão, continuam a lutar com coragem e determinação pela defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau. 

Feito em Bissau, aos 23 dias do mês de Dezembro de 2025 

O Consórcio da Casa dos Direitos




18 de dezembro de 2025

LGDH CONGRATULA-SE COM A RESOLUÇÃO APROVADA PELO PARLAMENTO EUROPEU

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) saúda e congratula o Parlamento Europeu pela aprovação histórica da resolução hoje adotada sobre a situação política e dos direitos humanos na República da Guiné-Bissau.

A LGDH considera que esta resolução constitui um importante e claro posicionamento político em defesa dos princípios democráticos, do Estado de direito e da proteção dos direitos humanos no país, refletindo preocupações que têm sido reiteradamente denunciadas pela organização.

Em particular, a LGDH acolhe com satisfação a condenação inequívoca do uso desproporcionado da força pelas forças de segurança, bem como o apelo à realização de uma investigação independente às violações dos direitos humanos e à responsabilização dos autores do golpe de Estado e de atos repressivos subsequentes.

A LGDH destaca igualmente a exigência de libertação imediata e incondicional dos dirigentes políticos da oposição e de todas as pessoas detidas arbitrariamente, bem como a denúncia da repressão contra ativistas, jornalistas, defensores dos direitos humanos e organizações da sociedade civil, que tem criado um clima de medo e silenciamento no país.

A Liga saúda, de forma particular, o apelo do Parlamento Europeu à divulgação dos resultados eleitorais verificados, sublinhando que o respeito pela vontade soberana do povo guineense, livremente expressa nas urnas, constitui um pilar essencial da democracia, da legitimidade das instituições e da estabilidade política na Guiné-Bissau.

A resolução representa ainda um sinal encorajador ao defender a liberdade de imprensa, o levantamento das restrições impostas aos meios de comunicação social independentes e a necessidade de um diálogo político inclusivo, sem interferências militares, como único caminho legítimo para restaurar a ordem constitucional e reforçar a democracia no país.

A LGDH valoriza, por fim, o apelo dirigido à União Europeia para que reavalie os seus mecanismos de cooperação e financiamento, garantindo que estes não contribuam para o reforço de estruturas autoritárias, mas sim para o apoio efetivo à sociedade civil democrática e à proteção dos direitos fundamentais.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos reafirma a sua total disponibilidade para continuar a colaborar com os parceiros nacionais, regionais e internacionais na promoção da paz, da justiça, da democracia e do respeito pelos direitos humanos na Guiné-Bissau.

Para mais informações leia a Resolução na íntegra.