27 de junho de 2026

CONSELHO NACIONAL DA LGDH ALERTA PARA A SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS E APROVA O PLANO ESTRATÉGICO 2026-2030

O Conselho Nacional da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), órgão máximo da organização entre congressos, reuniu-se no dia 27 de junho de 2026 para analisar a evolução da situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, avaliar o contexto político, económico e social do país e definir as prioridades estratégicas da organização para os próximos anos. No final dos trabalhos, aprovou, por unanimidade, uma extensa Resolução composta por 37 pontos, na qual identifica os principais desafios em matéria de direitos humanos, formula recomendações dirigidas às autoridades nacionais e aprova importantes medidas destinadas ao fortalecimento institucional da LGDH.

O Conselho manifestou profunda preocupação com a persistência de graves violações dos direitos humanos, destacando a ausência de progressos nas investigações relativas às execuções sumárias de Mamado Tano Bari e Vigário Luís Balanta, bem como a falta de respostas eficazes às denúncias de tortura, maus-tratos e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes infligidos a pessoas privadas da liberdade. Considera que a demora na investigação destes casos favorece a impunidade, enfraquece o Estado de direito e compromete a confiança dos cidadãos na justiça.

Foi igualmente expressa preocupação com a detenção prolongada de cidadãos civis e militares sem acusação formal ou processo judicial, em violação das garantias constitucionais e das obrigações internacionais do Estado. O Conselho alertou ainda para o deficiente funcionamento do sistema judicial, marcado pela ausência de tribunais no Arquipélago dos Bijagós e pela paralisação da maioria dos tribunais de setor, situação que continua a privar milhares de cidadãos do acesso efetivo à justiça.

No plano económico e social, o Conselho advertiu para as consequências da fraca campanha de comercialização da castanha de caju, fortemente condicionada pela quebra da produção agrícola, com impactos diretos nos rendimentos das famílias e no agravamento da insegurança alimentar. Manifestou igualmente preocupação com as fragilidades do sistema nacional de saúde e com a crescente dificuldade de acesso à água potável em várias regiões do país, apelando à adoção urgente de medidas que garantam serviços públicos essenciais e melhores condições de vida às populações mais vulneráveis.

Mereceram igualmente destaque as dificuldades persistentes no acesso à educação de qualidade, bem como as recorrentes denúncias sobre a utilização de alguns estabelecimentos de ensino como locais de comercialização e consumo de drogas ilícitas, realidade que compromete a segurança do ambiente escolar e o desenvolvimento saudável de crianças e jovens. O Conselho alertou ainda para o agravamento da violência baseada no género, designadamente dos abusos e da exploração sexual, dos casamentos infantis, precoces e forçados e de outras formas de violência e discriminação contra mulheres e raparigas, apelando ao reforço das medidas de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos autores.

Outra das preocupações centrais incidiu sobre o aumento dos casos de tráfico de seres humanos na Guiné-Bissau. O Conselho assinalou que a recente operação conduzida pela Polícia Judiciária, que culminou no desmantelamento de uma rede criminosa transnacional, no resgate de 43 vítimas e na detenção de oito suspeitos, revelou a dimensão e a crescente sofisticação deste fenómeno criminoso. Neste contexto, felicitou a Polícia Judiciária pelo profissionalismo, competência e dedicação demonstrados, reconhecendo o seu importante contributo para a proteção das vítimas, para o combate ao crime organizado e para a defesa da legalidade democrática, ao mesmo tempo que encorajou as autoridades competentes a prosseguirem as investigações até à responsabilização de todos os envolvidos.

Relativamente ao contexto político e institucional, o Conselho defendeu o cumprimento integral da Constituição da República e das obrigações internacionais do Estado, apelando ao levantamento das restrições ao exercício das atividades políticas e partidárias, ao respeito pelas liberdades fundamentais e ao restabelecimento de um diálogo político inclusivo e de boa-fé. Reiterou, igualmente, a necessidade de serem criadas todas as condições políticas, legais, administrativas e de segurança para a realização de eleições livres, justas, transparentes, inclusivas e credíveis, por considerar que o respeito pela ordem constitucional constitui um requisito essencial para o reforço da democracia, da estabilidade política e da paz social.

No plano institucional, o Conselho aprovou o Plano Estratégico da LGDH para o período 2026–2030 e um novo conjunto de instrumentos destinados a reforçar a governação, a integridade, a transparência e a responsabilização da organização, designadamente a Política Antifraude e Anticorrupção, a Política de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesse, a Política de Prevenção e Combate à Exploração e ao Abuso Sexual, ao Assédio Sexual e à Violência Baseada no Género e a Política de Igualdade de Género, Diversidade, Inclusão e Não Discriminação. O Conselho aprovou igualmente a operacionalização do Mecanismo de Integridade da LGDH, um canal institucional seguro, independente e confidencial destinado à receção, tratamento e acompanhamento de denúncias relativas a suspeitas de fraude, corrupção, irregularidades, má conduta ou incumprimento das normas internas da organização, assegurando a proteção dos denunciantes e o respeito pelos princípios da legalidade, imparcialidade, confidencialidade e prestação de contas. Estes instrumentos representam um marco decisivo na modernização institucional da LGDH, reforçando a sua credibilidade, capacidade de intervenção e alinhamento com as melhores práticas internacionais de boa governação.

O Conselho congratulou-se com o trabalho desenvolvido pela Direção Nacional na elaboração, coordenação e apresentação do Plano Estratégico 2026–2030 e do novo quadro estratégico e normativo da organização, reafirmando a sua plena confiança na capacidade da Direção Nacional para implementar as deliberações aprovadas e prosseguir, com independência, transparência e profissionalismo, a missão da LGDH na promoção, proteção e defesa dos direitos humanos.

A encerrar os trabalhos, o Conselho Nacional aprovou, por unanimidade, três Moções de Agradecimento dirigidas à União Europeia, à Cooperação Portuguesa e ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – Guiné-Bissau, em reconhecimento pelo apoio financeiro, técnico e institucional prestado ao fortalecimento da LGDH. O Conselho destacou que este apoio tem sido determinante para a consolidação institucional da organização, para o reforço das suas capacidades de intervenção e para a implementação de iniciativas de promoção, proteção e defesa dos direitos humanos, da democracia, do Estado de direito e da boa governação na Guiné-Bissau, apelando à continuidade desta parceria estratégica em benefício do desenvolvimento democrático, da boa governação e da proteção dos direitos fundamentais no país.

Para mais detalhes vide a Resolução do Conselho Nacional na íntegra.





21 de junho de 2026

ACEP E LGDH CONCLUEM EM BOLAMA UM AMPLO CICLO NACIONAL DE FORMAÇÕES EM DIREITOS HUMANOS

A ACEP e a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) concluíram, ontem, dia 21 de junho de 2026, em Bolama, um amplo ciclo nacional de formações em Direitos Humanos dirigido a ativistas e membros de organizações da sociedade civil (OSC), encerrando um importante processo de capacitação que beneficiou mais de 400 participantes e alcançou mais de 100 organizações da sociedade civil em todo o território nacional.

Com a duração de dois dias em cada região, a iniciativa envolveu ativistas provenientes de diferentes pontos do país, dos quais mais de 40% eram mulheres e raparigas e 56% jovens. O programa teve como principal objetivo reforçar os conhecimentos e as capacidades práticas dos participantes em matérias relacionadas com os direitos humanos, o ativismo cívico, a monitorização e documentação de violações de direitos, bem como os mecanismos de proteção, apoio e denúncia existentes na Guiné-Bissau.

Durante as sessões de trabalho, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre os fundamentos dos direitos humanos, técnicas de monitorização e documentação de violações, mecanismos de proteção das vítimas e instrumentos nacionais e internacionais de promoção e defesa dos direitos humanos. A iniciativa procurou igualmente fortalecer o papel dos defensores dos direitos humanos e das organizações da sociedade civil na promoção da justiça, da cidadania ativa, da participação democrática e da boa governação.

Este ciclo de formação integra um programa nacional de capacitação destinado a reforçar a ação dos ativistas e das organizações da sociedade civil, tornando-os mais preparados para promover, proteger e defender os direitos humanos em todo o país. O envolvimento de mais de 100 organizações demonstra a dimensão nacional da iniciativa e o seu contributo para o fortalecimento do movimento cívico guineense.

A ação foi implementada pela ACEP e pela LGDH, com financiamento da União Europeia, no âmbito de um contrato de prestação de serviços celebrado em 2025.

Paralelamente às formações, foram realizados Djumbais em todas as regiões abrangidas pelo programa, com o objetivo de sensibilizar e capacitar as comunidades locais para uma compreensão mais aprofundada dos direitos humanos, da justiça, da segurança e da participação cívica, enquanto pilares essenciais para a consolidação do Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau.

Estes espaços de diálogo e reflexão promoveram a cidadania ativa, a responsabilização social e o respeito pela dignidade humana, reforçando simultaneamente as capacidades de intervenção de ativistas e jovens no domínio dos direitos humanos e da cidadania. Os Djumbais envolveram mais de 500 participantes, incluindo líderes comunitários e tradicionais, mulheres e associações femininas, jovens e organizações juvenis, estudantes, professores, administradores escolares, pessoas com deficiência e membros da comunidade em geral.

Em declarações à imprensa, em Bolama, o Presidente da LGDH, Bubacar Turé, fez um balanço muito positivo deste ciclo nacional de formações, destacando o elevado nível de participação, o envolvimento das organizações da sociedade civil e o reforço das capacidades dos ativistas em matéria de direitos humanos.

Na ocasião, manifestou a sua profunda gratidão à União Europeia pelo apoio concedido à ACEP e à LGDH, sublinhando que este financiamento foi determinante para a concretização da iniciativa.

“Gostaria de expressar o nosso profundo agradecimento à União Europeia pelos inestimáveis apoios concedidos à ACEP e à LGDH, que tornaram possível a realização desta importante iniciativa de capacitação em todas as regiões do país, contribuindo para o fortalecimento da sociedade civil e para a promoção dos direitos humanos na Guiné-Bissau”, afirmou.

Bubacar Turé aproveitou igualmente a ocasião para denunciar aquilo que classificou como uma grave negação do direito de acesso à justiça às populações do Arquipélago dos Bijagós. Segundo o Presidente da LGDH, há mais de 15 anos que cerca de 40 mil cidadãos residentes no arquipélago vivem sem acesso efetivo aos serviços judiciais, devido à inexistência de tribunais em funcionamento naquela região insular.

O ativista recordou que, em 2018, foi inaugurado o Tribunal de Setor de Bubaque, construído com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mas que, passados oito anos, continua sem entrar em funcionamento por falta de colocação de magistrados, juízes e funcionários judiciais.

Perante esta realidade, Bubacar Turé dirigiu um forte apelo às atuais autoridades de transição para que adotem medidas urgentes com vista à operacionalização dos Tribunais de Setor de Bubaque e de Bolama.

“O acesso à justiça não pode continuar a ser um privilégio reservado aos cidadãos do continente. As populações de Bolama e dos Bijagós têm os mesmos direitos e merecem a mesma atenção do Estado. É urgente garantir o funcionamento efetivo dos tribunais de Bubaque e Bolama através da colocação dos recursos humanos necessários para assegurar a administração da justiça”, declarou.

O Presidente da LGDH sublinhou ainda que a entrada em funcionamento destes tribunais representa não apenas uma obrigação legal do Estado, mas também uma exigência de justiça, dignidade e igualdade para milhares de cidadãos que continuam privados de mecanismos básicos de proteção dos seus direitos fundamentais.

A ampla participação registada ao longo deste processo demonstra o crescente interesse e compromisso dos cidadãos com a promoção dos direitos humanos, da justiça social e da boa governação, reforçando a importância de continuar a investir na capacitação das comunidades como condição essencial para o fortalecimento da democracia, do Estado de Direito e do desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.






12 de junho de 2026

PROJETO “BOA GOVERNAÇÃO” INAUGURA INFRAESTRUTURAS DE ÁGUA POTÁVEL EM CANCHUNGO

O Projeto Boa Governação procedeu hoje, 11 de Junho de 2026, à entrega oficial de três infraestruturas de abastecimento de água potável na cidade de Canchungo, financiadas através do seu Fundo de Desenvolvimento Local, num investimento superior a 30 milhões de francos CFA.

A cerimónia foi presidida pelo Embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Federico Bianchi di Montauto Antinori, e contou com a presença do Administrador do Sector de Canchungo, Albino Canepilim Mendes, de Carla Pinto, em representação da Cooperação Portuguesa, do Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, da Coordenadora do Projeto Boa Governação, Racinela Silva, do Coordenador do Grupo de Ação Local, Leandro Pinto Júnior, bem como de líderes religiosos e tradicionais, representantes da sociedade civil e membros das comunidades beneficiárias.

As infraestruturas agora inauguradas asseguram o acesso a água potável através de nove fontenários certificados pelas autoridades competentes, beneficiando directamente 4.007 famílias dos bairros de Tchada, Bucucute e Babanda. Este investimento representa um passo significativo para a melhoria das condições de vida das populações locais, contribuindo para a redução de doenças associadas ao consumo de água imprópria, para a promoção da saúde pública e para o reforço da dignidade das comunidades beneficiárias.

No decurso da visita, a delegação deslocou-se igualmente ao projecto “Fortalecimento dos Jovens para Acções de Cidadania e Inclusão Digital na Cidade de Canchungo”, financiado pelo projeto Boa Governação e implementado pela estrutura regional da RENAJ. A iniciativa visa reforçar as competências dos jovens e promover a sua participação activa na vida comunitária através da cidadania e da inclusão digital.

Nas suas intervenções, os diferentes oradores destacaram a importância estratégica das infraestruturas entregues para o desenvolvimento local e para o bem-estar das populações. Sublinhando que o acesso à água potável constitui um direito fundamental e um factor essencial para a saúde, a educação e o desenvolvimento económico das comunidades, apelaram igualmente à população para que assuma um papel activo na protecção, conservação e gestão sustentável destas infraestruturas, garantindo a sua durabilidade e o benefício das gerações futuras.

O Projeto Boa Governação é implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), com financiamento da União Europeia e cofinanciamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., contribuindo para o reforço da governação local, da participação cidadã e do desenvolvimento inclusivo na Guiné-Bissau.










10 de junho de 2026

MENSAGEM DE FELICITAÇÕES DA LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS (LGDH) POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) dirige ao povo português, ao Governo da República Portuguesa e às Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo as suas mais calorosas felicitações por ocasião do 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Neste dia de celebração da identidade, da cultura e da história de Portugal, a LGDH presta homenagem a um povo com o qual a Guiné-Bissau partilha profundos laços históricos, linguísticos, culturais e humanos, construídos ao longo de gerações e fortalecidos por uma amizade que continua a unir os nossos destinos.

Portugal tem sido, ao longo das últimas décadas, o maior parceiro bilateral da Guiné-Bissau e um aliado firme nos momentos mais desafiantes da vida nacional. O seu apoio constante ao desenvolvimento do país, à consolidação das instituições democráticas, à promoção da paz, do Estado de Direito e do desenvolvimento humano constitui uma marca indelével da cooperação entre os nossos povos.

A LGDH destaca, de forma muito particular, o apoio pioneiro e decisivo de Portugal à criação da Casa dos Direitos, hoje reconhecida como o maior espaço cívico das organizações da sociedade civil guineense. Mais do que um edifício, a Casa dos Direitos tornou-se um símbolo de cidadania, esperança e participação democrática, acolhendo iniciativas que têm contribuído para dar voz aos cidadãos, defender os mais vulneráveis e promover uma cultura de direitos humanos na Guiné-Bissau.

Ao longo dos anos, Portugal tem igualmente sido um parceiro estratégico da LGDH na sua missão de promover e proteger os direitos humanos, fortalecer a democracia e defender os valores da justiça, da liberdade e da dignidade humana. Este apoio solidário e consistente permitiu reforçar a capacidade de intervenção da sociedade civil e manter viva a esperança de uma Guiné-Bissau mais justa, mais inclusiva e mais democrática.

Neste dia tão significativo, a LGDH expressa a sua profunda gratidão ao povo português pela amizade, confiança e solidariedade que sempre demonstrou para com a Guiné-Bissau. Celebramos não apenas uma data nacional de Portugal, mas também uma relação de proximidade e cooperação que continua a produzir resultados concretos em benefício dos nossos povos.

Que o espírito do 10 de Junho continue a inspirar a construção de sociedades fundadas na liberdade, no respeito pela dignidade humana, na justiça e na paz. E que os laços de amizade entre Portugal e a Guiné-Bissau se fortaleçam cada vez mais, ao serviço de um futuro comum mais próspero, mais democrático e mais humano.

Parabéns, Portugal!

Bissau, 10 de Junho de 2026
Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH)