27 de julho de 2026

LGDH CONDENA MAIS UM RAPTO E ESPANCAMENTO BRUTAL E ALERTA PARA A ESCALADA DA VIOLÊNCIA E DA IMPUNIDADE NA GUINÉ-BISSAU

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) registou, através de fontes familiares, mais um grave caso de rapto e espancamento de um cidadão guineense, ocorrido na noite de sábado, 25 de julho de 2026, na cidade de Bissau.

Segundo as informações recolhidas junto dos familiares, o Sr. André da Costa, conhecido por Carlitos e alto dirigente do PAIGC, encontrava-se, por volta das 22h00, num estabelecimento comercial situado no centro da cidade de Bissau, quando foi intercetado por um grupo de cinco indivíduos armados e encapuzados. A vítima foi coagida a entrar numa viatura e conduzida para as imediações do edifício das Nações Unidas, onde foi barbaramente espancada, tendo sido posteriormente abandonada no local em estado grave.

Em consequência da violência das agressões sofridas, o Sr. Carlitos Costa encontra-se internado numa unidade hospitalar de Bissau, onde recebe tratamento médico.

Este crime representa mais um episódio de uma sucessão de atos de extrema violência que, nos últimos anos, têm mergulhado o país num ambiente de medo, intimidação e insegurança. O recurso sistemático ao rapto, ao espancamento e ao terror contra cidadãos constitui uma afronta intolerável à Constituição da República, ao Estado de direito democrático e aos mais elementares direitos humanos.

A LGDH manifesta a sua profunda preocupação com a crescente banalização da violência como instrumento de intimidação política. Os sucessivos ataques contra cidadãos, os quais permanecem sem investigação credível e sem responsabilização dos seus autores, alimentam um perigoso sentimento de impunidade que encoraja a repetição destes crimes e mina a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.

É inaceitável que, num Estado que se proclama democrático e de direito, continuem a ocorrer raptos, espancamentos e outras formas de violência com características semelhantes, sem que os seus autores sejam identificados, julgados e punidos. A incapacidade ou falta de vontade das autoridades para travar este ciclo de violência coloca em causa o dever constitucional do Estado de garantir a segurança, a liberdade e a integridade física dos cidadãos.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos condena com a máxima veemência este ato criminoso e exige que as autoridades judiciárias desencadeiem, de imediato, uma investigação séria, independente, célere e transparente, que conduza à identificação, detenção e responsabilização criminal de todos os autores materiais e morais deste crime.

A LGDH exige igualmente às autoridades nacionais no sentido de assumirem as suas responsabilidades constitucionais e adotem medidas concretas para pôr fim à atuação de grupos envolvidos em raptos, espancamentos e outras formas de violência política. A proteção da vida, da liberdade e da integridade física dos cidadãos não é uma opção política; é um dever indeclinável do Estado.

O silêncio, a passividade e a impunidade perante crimes desta natureza apenas contribuem para a degradação do Estado de direito, para o enfraquecimento das instituições democráticas e para a normalização da violência como método de resolução de divergências políticas. Nenhuma democracia pode sobreviver quando o medo substitui a liberdade e quando a força prevalece sobre a lei.

A LGDH manifesta a sua total solidariedade para com o Sr. Carlitos Costa, a sua família e todas as vítimas da violência política e da criminalidade impune, reafirmando que continuará a denunciar, sem hesitação, todas as violações dos direitos humanos e a exigir verdade, justiça e responsabilização.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos apela ainda aos partidos políticos, às organizações da sociedade civil, às confissões religiosas, aos parceiros internacionais e a todos os cidadãos para que rejeitem, de forma inequívoca, a violência e a impunidade, unindo esforços na defesa da paz, da democracia, da legalidade constitucional e da dignidade da pessoa humana.

Pela paz, Justiça e Direitos Humanos 

Bissau, 27 de julho de 2026

A Direção Nacional